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Governo rebate em bloco críticas de FHC

RENATO ANDRADE, TÂNIA MONTEIRO E LEONARDO GOY - Agencia Estado

07 Fevereiro 2010 | 20h 25

O governo saiu hoje em bloco para responder às críticas feitas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso à estratégia adotada pelo Palácio do Planalto para tentar vencer as eleições de outubro. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à corrida presidencial, reconheceu que o governo tucano deu contribuições ao País, mas mostrou que não deixará de fazer comparações entre o que foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu antecessor. "Não estou desmerecendo ninguém, estou dizendo que nosso caminho é melhor", disse a ministra.

Em artigo publicado hoje no Estado, Fernando Henrique afirmou que o presidente Lula, levado por "momentos de euforia", está inventando inimigos e enunciando inverdades. Ele lamentou que o presidente tenha se deixando contaminar por "impulsos tão toscos" e mostrou disposição para entrar no embate das realizações de cada governo, polarização defendida por Lula. "Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa", afirmou em seu artigo.

Para Dilma, o que o governo defende é uma comparação para a escolha de caminhos. "Essa é a forma de nós confrontarmos as possibilidades", disse a ministra, pouco antes de participar de um evento do PT, em Brasília. O ex-presidente afirmou em seu artigo que a estratégia adotada pelos petistas seria uma tentativa de ganhar as eleições "com o retrovisor". Dilma rebateu. "Comparar não é ficar olhando pelo retrovisor. Comparar é discutir que caminho vou seguir", disse. "Sem sombra de dúvida, houve passos no governo anterior, agora, o que estou dizendo é que o nosso caminho é melhor."

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também defendeu a política de comparações e disse que o PT está disposto a debater com os tucanos suas propostas para o futuro, desde que essas ações sejam apresentadas. "Assim que mostrarem aquilo que querem fazer, nós vamos comparar com aquilo que queremos fazer daqui para frente", disse.

Dados - O ex-presidente argumentou em seu artigo que o governo ignora dados e insiste em contar sua versão dos fatos para tentar "desconstruir o inimigo principal", os tucanos. O empréstimo feito pelo País em 2002, junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), foi um dos exemplos citados por ele de custos enfrentados pelo Brasil por anos de "bravatas" do PT que hoje são ignoradas pelos petistas. Dilma tentou desmontar a versão do tucano. "O governo pediu US$ 14 bilhões porque só tinha US$ 16 bilhões de reservas e tinha atrelado a sua dívida interna ao dólar", disse. "Hoje, temos reservas de US$ 240 bilhões, é essa a diferença."

Segundo a ministra, essa decisão econômica (de atrelar a dívida ao dólar) acabou tendo efeitos perversos. "Cada vez que havia uma desvalorização, a dívida das empresas, a dívida do governo se multiplicava na proporção da desvalorização", disse. "Diante de cada crise o governo quebrava, ele era parte do problema."

Para Dilma, a postura do governo Lula mudou o papel do Estado, permitindo o enfrentamento da mais recente crise financeira internacional. "Na hora que a coisa ficou preta, quando acabou o crédito internacional e nenhum banco privado emprestava, foram os nossos bancos públicos que seguraram", comentou. "Não vamos comparar que desta vez o governo brasileiro foi parte da solução?", questionou.

"Nem em Davos" - Seguindo a estratégia de comparações, Dilma ironizou as declarações do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), que recentemente defendeu mudanças na política cambial e monetária. "Não somos nós hoje que falamos que tem que mudar o câmbio e resolver a inflação diferentemente. Não foi ninguém do PT, não fomos nós", disse. Para a ministra, a tentativa de colar a imagem do governo com sinais de mudanças radicais não faz sentido. "O pessoal está um pouquinho atrasado, nem em Davos a gente recebe mais essa crítica", disse.

Citado por Fernando Henrique no artigo, o presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, disse que quem não reconheceu os feitos do governo passado foi o candidato tucano ao Planalto em 2006, o ex-governador paulista Geraldo Alckmin. "Quem escondeu os progressos do governo dele foi o Alckmin. Ele ficou envergonhado de defender o governo FHC", disse Dutra.

No artigo, o ex-presidente lembra que Dutra, que já presidiu a Petrobras, reconheceu que votaria contra uma eventual proposta de volta ao monopólio do petróleo, tema defendido por muitos anos pelo PT. Dutra confirmou sua posição contrária ao monopólio, e disse também que já elogiou outra medida tomada pelo governo Fernando Henrique, que hoje é alvo de críticas dos próprios tucanos. "Um dos grandes motivos para o crescimento da Petrobras foi a agilidade que ela ganhou a partir do momento em que não teve mais de cumprir a 8666 (lei de licitações). Agora o TCU bombardeia esse decreto, que é do governo FHC, e a oposição fica do lado do TCU", disse.