Governo quer 4 milhões do Bolsa-Família com conta no banco

As famílias terão acesso a microcrédito, resseguros e poupança; hoje, 1,9 milhões de usuários são correntistas

Yara Aquino, Agência Brasil

28 Outubro 2009 | 16h17

Iniciado em Belo Horizonte, o Projeto de Inclusão Bancária que permite aos beneficiários do programa Bolsa-Família abrir uma conta em bancos será expandido para todo o país. A meta é de que 4 milhões de beneficiários tenham conta bancária na Caixa Econômica Federal até o final de 2010. Atualmente 1,9 milhão de famílias já tem a conta.

A intenção é facilitar o acesso ao sistema bancário a pessoas que muitas vezes esbarram em problemas burocráticos, como falta de comprovante de renda ou de moradia. Pelo projeto, o beneficiário precisa procurar a Caixa e manifestar o interesse de abrir a conta, com a apresentação do CPF. A expectativa é de que em cerca de duas semanas todo o processo esteja concluído.

O benefício do Bolsa-Família passará a ser depositado na conta automaticamente. O titular pode fazer até quatro saques por mês, sem pagamento de taxas. Outra novidade é que essas famílias passam a ter a possibilidade de usar serviços como microcrédito, resseguros e poupança. Os correntistas, no entanto, não terão acesso a talão de cheque.

Apesar de a conta bancária abrir a possibilidade para o empréstimo, o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, avalia que não há risco de endividamento dessa população de baixa renda. “Qualquer endividamento será mais à frente, dentro de um critério de microcrédito, aí já com maior capacitação e maior acompanhamento das famílias.”

Há três anos no Bolsa Família, Erivânia Alves da Silva, que vive no município de Nossa Senhora do Socorro (SE), abriu a conta bancária há cerca de um mês. Mãe de uma menina, ela destaca as vantagens de ter acesso aos serviços bancários.“No momento não pretendo pegar empréstimo, mas poupar uma parte do dinheiro que recebo. Minha filha sempre adoece, e agora tenho um dinheirinho lá guardado para o remédio ”, contou.

A presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, disse que a experiência do projeto iniciado em Belo Horizonte demonstrou que as famílias não têm dificuldades para usar os serviços bancários e não gastam além de suas possibilidades. O projeto piloto da inclusão bancária dos beneficiários do Bolsa-Família foi iniciado em 2008 e, atualmente, cerca de 400 mil contas são abertas por mês pelos beneficiários do Bolsa-Família.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinará um decreto disciplinando o processo de inclusão bancária dos beneficiários do pelo Bolsa-Família.

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