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Governo não teme CPI da Petrobras, garante Berzoini

TÂNIA MONTEIRO - Agência Estado

30 Abril 2014 | 13h 04

O ministro da Secretaria das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, disse na manhã desta quarta-feira, 30, que "não há temor" do governo em relação à instalação da CPI para investigar Petrobras. "A CPI é sempre uma comissão política e, em ano eleitoral, é muito mais. Esperamos que não haja isso. Mas não seremos inocentes em achar que a CPI vai investigar desconectada do cenário eleitoral", comentou o ministro Berzoini, em encontro com jornalistas no Palácio do Planalto, após justificar que a intenção da oposição é usar a CPI como palco de disputa política para "denuncismo", uma vez que os pré-candidatos não possuem ainda sequer propostas a serem apresentadas.

Berzoini reiterou o discurso do governo, afirmando que já estão sendo realizadas investigações pela Polícia Federal, Justiça Federal, Controladoria Geral da União, Tribunal de Contas da União e Ministério Público. E estes, emendou, "são muito menos sujeitos à manipulação política do que uma CPI".

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), prometeu para a semana que vem a instalação da CPI exclusiva do Senado, assim como a mista. "Vamos respeitar os encaminhamentos do Parlamento, respeitar as decisões do presidente Renan, respeitar as decisões do conjunto das Casas e trabalhar com esta realidade. Nós achamos que uma CPI hoje pode ser conduzida com responsabilidade, se os partidos indicarem pessoas que vão se comprometer com uma investigação séria e evitar cenários que possam até prejudicar a imagem da política como um todo", comentou.

O ministro Ricardo Berzoini reconheceu que o governo era contra a instalação da CPI. "Éramos contra no início porque ela tem uma tendência a ser uma disputa política e não um instrumento de investigação", explicou. Para ele, "a oposição está fazendo um movimento legítimo de tentar preencher o espaço político com este assunto", exatamente porque sequer os candidatos oposicionistas têm propostas para serem apresentadas até agora. "Então, esta é uma forma de se preencher o espaço político, que é com o tão conhecido denuncismo, que não é novidade", acrescentou.