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Governo fragilizou Saúde quando incluiu pasta no toma lá dá cá da política

Ao indicar Marcelo Castro (PMDB-PI) para assumir a pasta, Planalto não estava preocupado com perfil técnico que o ocupante do cargo deveria ter para liderar área

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Marcelo de Moraes,
O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2016 | 09h48

BRASÍLIA - A crise no setor da Saúde, exposta principalmente pela explosão dos casos de zika, dengue e chikungunya, exibe o descaso com que o governo tratou a escolha do titular do ministério dessa área. Ao indicar o deputado federal Marcelo Castro (PMDB-PI) para assumir o comando da Pasta, o Palácio do Planalto não estava preocupado com o perfil técnico que o ocupante do cargo deveria ter para liderar área tão complexa e repleta de dificuldades. O governo mirou apenas numa negociação política que lhe garantisse votos no Congresso capazes de espantar o fantasma do impeachment da presidente Dilma Rousseff.

Em troca desse apoio, o governo ofereceu o Ministério da Saúde ao grupo do deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ), numa movimentação feita para conter a força do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Na ocasião, Cunha tinha autorizado a abertura da discussão sobre o impeachment e o Planalto deflagrou uma corrida em busca de votos, oferecendo postos nobres no primeiro escalão para barrar seus adversários.

A manobra teve sucesso em termos políticos, já que com o apoio da ala de Picciani, o PMDB rachou e o impeachment esfriou. O problema, agora, é o efeito colateral de ter que administrar as ações e, principalmente, as falas do ministro Marcelo Castro.

No governo, não faltam críticas ao modo de atuar do ministro, considerado bem inferior tecnicamente ao seu antecessor, Arthur Chioro, um médico sanitarista dos quadros PT. Castro também é médico, com doutorado em psiquiatria. Mas a profissão que exerce, de fato, é a de político. Tanto que obteve seu primeiro mandato político, como deputado estadual no Piauí, em 1982, numa trajetória política de 34 anos, que incluiu o comando de uma secretaria estadual não de Saúde, mas de Agricultura, no Piauí.

Também incomoda muito ao Planalto as falas polêmicas do ministro. Segundo interlocutores da presidente Dilma, a situação na Saúde já está complicadíssima por conta dessas doenças, e o ministro não ajuda ao dizer, por exemplo, que "o governo está perdendo feio a guerra" contra o Aedes Aegypti.

 O problema é que Castro está certo nessa declaração. E sua nomeação, baseada apenas no critério de troca de interesses, é um dos fatores que colaboram fortemente para essa derrota.

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