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Governo fica surpreso com tamanho da manifestação e aliviado com caráter pacífico

- Atualizado: 13 Março 2016 | 23h 51

Monitoramento feito pelo Planalto não indicava que as adesões poderiam superar as dos protestos de março de 2015

BRASÍLIA - Apesar da previsão inicial de que as manifestações deste domingo seriam maiores do que atos anteriores, o governo se surpreendeu com a multidão que ocupou as ruas em todo o País. O protesto deste domingo bateu recorde de público na comparação com os demais realizados no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. 

A presidente, que passou o domingo no Palácio da Alvorada acompanhando as mobilizações, reuniu um grupo de ministros ao longo da tarde e início da noite para definir a estratégia a ser adotada pelo governo como reação às manifestações.

Avenida Paulista é tomada por manifestantes vestidos de verde e amarelo
Daniel Teixeira / Estadão
Manifestação

A Polícia Militar chegou a restringir o acesso de pessoas à Avenida Paulista. O argumento foi o excesso de pessoas no local

Por volta das 20h, a Presidência divulgou uma nota sucinta, de quatro linhas, na qual destacou o “caráter pacífico das manifestações”, que demonstra a “maturidade de um País que sabe conviver com opiniões divergentes e garantir respeito às leis e às instituições”. “A liberdade de manifestação é própria das democracias e por todos deve ser respeitada”, diz o texto. 

O governo teme que os atos fortaleçam o processo de impeachment da petista, que deve ser retomado pelo Congresso ainda nesta semana. O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), já avisou parlamentares que a Casa retomará o processo de impedimento da presidente assim que o Supremo Tribunal Federal concluir o julgamento sobre o rito do impeachment, o que está previsto para acontecer na quarta-feira.

Os ministros Jaques Wagner (Casa Civil), Edinho Silva (Comunicação Social), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e José Eduardo Cardozo (Advocacia-Geral da União) fizeram neste domingo o balanço do dia e discutiram com Dilma os próximos passos do governo. 

Até o final da última semana, o governo avaliava que os atos deste domingo seriam maiores que os três últimos, no rastro da delação premiada do ex-líder do governo no Senado Delcídio Amaral (PT-MS) e da condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no depoimento à Polícia Federal. O monitoramento feito pelo Planalto não indicava, porém, que as adesões poderiam superar as dos protestos de março de 2015.

Dilma se preocupa com o esfacelamento da base aliada, depois do aviso prévio dado pelo PMDB ao governo. Na convenção nacional de sábado, o partido definiu prazo de 30 dias para discutir o desembarque oficial da gestão petista e a entrega de cargos. Até lá, peemedebistas ficaram impedidos de assumir novos postos no governo federal. Muitos no Planalto falam na necessidade de uma “concertação”, sem indicativos concretos de como a ideia pode sair do papel.

Pacto. Em conversas reservadas, interlocutores de Dilma dizem que é preciso um pacto nacional para sair da crise, mas ainda não conseguem definir os próximos passos. “A situação é muito difícil”, disse um ministro ao Estado. “Os problemas não são poucos e matamos muitos leões por dia. Mas achamos que nem todos os caminhos estão interrompidos.”

Bloqueio. O receio de atos violentos e tentativas de invasão à residência oficial da presidente fez com que o entorno do Palácio da Alvorada, onde Dilma permaneceu durante todo o domingo acompanhando em tempo real as manifestações, ficasse bloqueado para passagem de carros e pedestres. Cerca de um quilômetro antes da guarita de entrada no Alvorada, o bloqueio era feito por placas de metal e segurança ostensiva.

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