Bastidores: Governo faz contas... no Congresso

A estratégia do governo de apelar ao Supremo Tribunal Federal para barrar o julgamento do Tribunal de Contas da União estava traçada há tempos, mas o Planalto jogou uma última carta antes disso, tentando afastar o ministro Augusto Nardes, relator do processo.

Vera Rosa, Tânia Monteiro e Isadora Peron, O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2015 | 02h01

O plano não funcionou. Na avaliação de deputados do PMDB - que ontem ajudaram a impor novo revés à presidente Dilma Rousseff no Congresso, logo após a sigla ganhar sete ministérios - serviu para pôr mais combustível na crise. Em conversas reservadas, parlamentares do partido disseram que atacar Nardes acirrou os ânimos contra Dilma no TCU - e, de certa forma, no Congresso.

Muitos foram os peemedebistas que se queixaram pelo fato de Dilma não ter ouvido o vice Michel Temer antes de montar a estratégia. Na reunião de ontem da coordenação de governo, porém, Temer disse à presidente que a iniciativa tomada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e pelo titular da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, ao pedir o afastamento de Nardes, buscou restaurar a "institucionalidade".

Diante de Cardozo e Adams, Temer argumentou estranhar que ministros de tribunais, mesmo os do Supremo, manifestem opiniões "fora dos autos", prejudicando o julgamento. Ainda assim, longe do Planalto, integrantes do PMDB notaram que a estratégia do governo no TCU foi "desastrosa" e representou "um tiro no pé" por incentivar o corporativismo dos ministros da corte.

Auxiliares de Dilma têm certeza de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), dará sequência a um pedido de impeachment, porque precisa desviar os holofotes de sua própria crise, provocada pela descoberta de contas na Suíça. No Planalto, o comentário é que a queda de Cunha não será tão rápida.

Dilma se preocupa agora, cada vez mais, em medir a fidelidade do PMDB e fazer contas, para ver quantos votos tem para barrar o impeachment. A contabilidade, como mostrou o dia no Congresso, é bem mais favorável no Senado do que na Câmara.

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