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Governo espera recuperar ao menos R$ 6 bi com acordos de leniência

De saída da AGU, Adams quer deixar como legado ao menos um acordo entre o governo e empreiteiras investigadas na Lava Jato

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Isadora Peron,
O Estado de S. Paulo

21 Fevereiro 2016 | 22h00

BRASÍLIA - De saída da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams trabalha para deixar como legado a conclusão de pelo menos um acordo de leniência entre o governo e as empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato. Segundo ele, o valor de cerca de R$ 6 bilhões apontado pela Petrobrás como o prejuízo causado pelo esquema de corrupção é o montante que a instituição estabeleceu como meta para ser devolvido aos cofres públicos após a finalização de todos os processos.

O advogado-geral, porém, não quer fechar qualquer acordo. Apesar de não dizer qual é o seu alvo, fontes do governo afirmam que Adams trabalha para terminar as negociações com a maior empreiteira do País, a Odebrecht. Outro acerto que está bastante adiantado e pode sair a qualquer momento é o da SBM Offshore. "A ideia é finalizar alguns acordos ainda este mês ou, no máximo, em março. Com isso, nós vamos fixar um padrão, e, uma vez fixado esse padrão, os processos vão começar a fluir com uma dinâmica própria", disse Adams em entrevista ao Estado.

Em dezembro, a presidente Dilma Rousseff editou uma medida provisória para acelerar os trâmites para acordos desse tipo. Segundo o texto enviado ao Congresso, as empresas que se comprometerem a colaborar com as investigações poderão ser beneficiadas com a redução de pena e até isenção do pagamento de multa. Além disso, poderão manter contratos com o poder público e voltar a disputar licitações.

Adams deixará o cargo no próximo dia 29. Até lá, a presidente já deve ter escolhido o seu sucessor. Em meio ao processo de impeachment, Dilma não quer deixar o posto, responsável pela sua defesa no processo, vago por muito tempo. Primeiro servidor de carreira a chefiar o órgão, Adams tem defendido que a presidente escolha um nome com esse perfil para ser o seu substituto. O preferido de Adams é o ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Marcelo Siqueira. Outros nomes com essas características seriam o do procurador-geral do Banco Central, Isaac Menezes Ferreira, e do subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil, Jorge Messias. 

De fora da carreira, despontam opções como o coordenador jurídico da última campanha da petista, Flávio Caetano, e do secretário Nacional de Justiça, Beto Vasconcelos. Segundo o advogado-geral, todos os nomes que estão colocados são bons quadros, mas a presidente teria concordado que era importante uma indicação mais técnica para a AGU. "Eu acho que a presidente vai escolher aquele que ela tiver mais afinidade e, claro, tiver competência. Eu, evidentemente, prefiro alguém da carreira, isso fortalece a instituição, fortalece o governo, fortalece a aderência da advocacia-geral às ações que o governo tem que realizar, mas essa é decisão que só cabe a ela (Dilma)", afirmou.

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