Joka Madruga/Futura Press
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Governo do Paraná vai acionar grevistas na Justiça

Administração do tucano Beto Richa vai pedir ao Judiciário que considere a greve ilegal alegando quebra de acordo; sindicalistas negam que tenham fechado acordo com governo

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2015 | 19h02

Curitiba - Depois de 20 dias de uma greve de professores que paralisou todas as escolas estaduais do Paraná, o governo Beto Richa (PSDB) decidiu partir para o confronto. A administração estadual informou que vai enviar ainda nesta sexta-feira uma representação à Justiça para que a greve seja considerada ilegal. Segundo o governo, a APP Sindicato, que representa a categoria, teria quebrado um acordo feito na reunião de quarta-feira, quando atendeu várias reivindicações dos grevistas. 

O sindicato ainda não foi notificado, mas nega a quebra do acordo. Embora o governador tivesse esperanças de que as aulas voltassem ao normal na segunda-feira, somente na quarta-feira os grevistas vão se reunir em assembleia para decidir os rumos do movimento.

"Não houve acordo. O que houve foi uma proposta do governo que será avaliada pela categoria na quarta-feira. Não assinamos nada", disse o coordenador de Comunicação da APP Sindicato, Luiz Fernando Rodrigues.

No início do mês os professores decidiram entrar em greve para cobrar o pagamento de férias atrasadas, rescisões contratuais não pagas e a manutenção de outros benefícios que o governo ameaçou retirar em um pacote de medidas de ajuste fiscal. Segundo os professores, ainda não foram atendidas outras reivindicações, como o cancelamento da mudança no regime de previdência dos servidores paranaenses, pagamento de R$ 100 milhões referentes a promoções e progressões de carreira atrasados desde o ano passado e questões ligadas à organizações das escolas.

Já o governo de Richa, que enfrenta uma grave crise de caixa, considera todas as reivindicações atendidas.

O movimento grevista, que ocupou duas vezes a Assembleia Legislativa do Paraná e levou milhares de pessoas ao Palácio Iguaçu, sede do Executivo paranaense, na quarta-feira,obrigou Richa a retirar da pauta do Legislativo dois projetos de lei que previam cortes de gastos. O governo espera uma decisão da Justiça sobre a legalidade da greve ainda no final de semana. 

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