Governadores do Nordeste se unem por cargos

Jaques Wagner (BA) e Marcelo Déda (SE), do PT, e Eduardo Campos (PE), do PSB, pedem 3 ministérios e 4 estatais e falam em 'administração compartilhada'

Christiane Samarco e Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2010 | 23h00

Em um contraponto ao apetite do PMDB e ao excesso de paulistas nomeados pelo próprio PT, três governadores do PT e do PSB do Nordeste reuniram-se ontem em Brasília para definir a cota de poder que atende à região e acertar uma "administração compartilhada" que beneficie igualmente os seis Estados (PE, PI, PB, CE, BA e SE) comandados pelas duas legendas.

 

Eles querem três ministérios – Integração Nacional, Desenvolvimento Agrário (MDA) e Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) – além de quatro estatais. Uma quarta pasta, o Turismo, seria destinada ao senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE).

 

"Não vou entrar na briga do ‘nordestério’ contra o ‘paulistério’, seria preconceito de um lado e do outro", argumentou o governador da Bahia, Jaques Wagner, engajado, sim, na nomeação de ministros do PT do Nordeste. "O MDS tem a cara do Nordeste, a Integração tem a cara do Nordeste, o MDA tem a cara do Nordeste", emendou.

 

"Em vez de brigar de facão por cargos, nós discutimos quais são os órgãos que detêm as ferramentas de políticas públicas onde o Nordeste deve estar representado. A partir daí, a presidente Dilma Rousseff é quem vai dizer que perfil deseja para comandá-los, de forma a atender a todos nós", resumiu o anfitrião do encontro reservado e governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT). Os governadores querem partilhar diretorias de estatais importantes para a região, como o Banco Nacional do Nordeste.

 

"Construímos um fórum de unificação das nossas forças no Nordeste e foi com esta unidade que saímos da eleição com a vitória expressiva da presidente Dilma", afirmou o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos.

 

O PSB quer emplacar o ex-prefeito de Petrolina Fernando Bezerra Coelho no Ministério da Integração Nacional. Coelho abriu mão de ser candidato ao Senado e apoiou o petista recém-eleito Humberto Costa, com a promessa de Campos de que seria recompensado com um "cargo importante em Brasília".

 

Para o Ministério do Combate à Fome, que gerencia o programa de maior relevância para o Nordeste – o Bolsa-Família –, o nome mais cotado é o do ex-governador do Piauí e senador eleito Wellington Dias (PT).

 

A ideia do grupo é que os "instrumentos de governança da máquina federal no Nordeste", como a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Denocs), obedeçam a um comando que favoreça todos os Estados e não estabeleça paralelismos com ações dos governos locais. / COLABOROU MARTA SALOMON

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