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Governador do PT exonera secretários para ajudar Temer a barrar denúncia

Aliados de Rui Costa (BA) dizem que não interesse a ele que Temer seja afastado, porque um eventual governo Maia fortaleceria seu rival na Bahia, Antônio Carlos Magalhães Neto, que também é do DEM

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2017 | 16h00

BRASÍLIA - O governador da Bahia, Rui Costa (PT), exonerou nesta terça-feira, 1º, dois secretários estaduais para que retomem os mandatos de deputado federal e ajudem a barrar a denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer na votação desta quarta-feira, 2, no plenário da Câmara dos Deputados.

Costa destituiu os secretários de Desenvolvimento Urbano, Fernando Torres (PSD), e de Relações Institucionais, Josias Gomes da Silva (PT). Torres e Silva devem abster-se na votação do parecer. Esse posicionamento é favorável a Temer, uma vez que cabe à oposição arranjar os 342 votos para aprovar a abertura de investigação. Os suplentes deles eram, respectivamente, Robinson Almeida (PT) e Davidson Magalhães (PCdoB), que tinham declarado voto contra o presidente.

Aliados justificam que o afastamento de Temer do cargo, caso a denúncia seja aceita, não interessa a Costa. Isso porque o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumiria o comando do País, fortalecendo o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), que deve disputar o governo da Bahia em 2018 contra Costa. Nos bastidores, fala-se ainda que a "ajuda" envolveu promessa do Planalto de liberar empréstimos ao governo baiano. Procurado, Costa não se pronunciou.

 

Aliados do governador da Bahia afirmam que o afastamento do presidente do cargo, caso a denúncia seja aceita, não interessa a Costa. Se Temer for afastado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumirá o comando do País, fortalecendo o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM), o ACM Neto, que deve disputar o governo da Bahia em 2018 contra o atual governador.

"Vou abster-me na votação. Não sou a favor nem de Michel Temer nem de Rodrigo Maia. Sou a favor de eleições diretas para presidente", justificou o secretário de Desenvolvimento Urbano da Bahia. Torres disse não ter nada contra o presidente da Câmara dos Deputados. "Acho até um bom presidente da Câmara, mas não tem condições de ser presidente da República agora", declarou.

Já o secretário de Relações Institucionais da Bahia diz que ainda não decidiu sobre como votará, mas que também tende a se abster. "O debate que tem de ser feito é que precisamos de eleições diretas, não eleições indiretas", disse. De acordo com Silva, não há como apostar no afastamento ou não de Temer como solução para o Brasil. "É tirar um golpista para colocar outro."

O secretário de Relações Institucionais admitiu que o fator ACM Neto também é levado em consideração. "Claro que esse aspecto também é ponderado. Se o Rodrigo Maia assume, ele [prefeito de Salvador] vai se fortalecer", disse. Silva ressaltou que essa não é uma tese só dele. "É minha, do governador e da maioria dos partidos que apoiam ele no Estado", disse.

Um dos deputados mais próximos de Costa, Afonso Florence (PT-BA), defendeu a tese do governador. "Ele tem total razão em sua análise. Vai ser muito ruim para Bahia o ACM [Neto] ter uma força maior. A situação não é simples, é complexa", afirmou Florence, que, embora concorde com Costa, afirmou que votará a favor da denúncia.

Ainda na Bahia, Temer contou com ajuda do senador Otto Alencar, que preside o PSD no Estado. Crítico de Temer, Alencar liberou, a pedido do governador, os cinco deputados baianos da sigla a votarem como desejarem. "Trocar Temer por Maia é trocar seis por meia dúzia", disse Alencar. Com a decisão, o líder do PSD na Câmara, Marcos Montes (MG), prevê que todos os cinco devem se abster ou votar a favor de Temer amanhã no plenário.

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