Gabriel Lordello/Estadão
Gabriel Lordello/Estadão

Governador do ES decide deixar PMDB

Paulo Hartung diz ao ‘Estado’ que busca sigla compatível com pensamento de centro-esquerda

Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2017 | 20h55

Um dos sete governadores eleitos pelo PMDB em 2014, o economista Paulo Hartung, do Espírito Santo, decidiu deixar a legenda do presidente Michel Temer. Embora faça críticas pontuais ao governo, Hartung não pretende migrar para a oposição, mas deslocar-se dentro do consórcio de poder que espera lançar um nome da situação à Presidência em 2018. 

Pelo menos duas portas foram abertas. O ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, fundador do PSD, fez um convite e aguarda resposta. Mas o PSDB também está na fila. 

“Vim de uma militância socialista, mas evolui minha maneira de entender o mundo. Evolui para uma posição de centro-esquerda e sou hoje um social democrata. Eu teria muito conforto em ir para um partido que tenha um projeto e um programa que tenha total compatibilidade com meu pensamento político”, disse o governador ao Estado. 

Sobre a possibilidade de participar da criação de um novo partido nesses moldes, Hartung prontamente descarta a ideia. “Não tenho tamanho para isso.”

Questionado, então, se a compatibilidade com a social democracia sugere uma aproximação com os tucanos, Hartung desconversa. “Tenho muita vontade de migrar para uma organização partidária que tenha a ver com minha história de militância”, afirmou. 

Histórico. A história de militância do governador, porém, permite diversas interpretações. Ele começou a carreira no PMDB e depois foi um dos fundadores do PSDB. Antes de voltar às origens em 2005, passou pelo PSB e PPS.

Faltando menos de dois anos para a eleição presidencial, a movimentação de Hartung pode ampliar a área de influência dos tucanos. Como sinalizou que prefere disputar uma vaga no Senado em vez de tentar a reeleição, o governador teria de renunciar em abril ao comando do Estado, que tem um eleitorado de 2.716.371 pessoas. Em seu lugar assumiria o vice César Colnago, do PSDB. 

Nesse cenário, o candidato do grupo ao governo seria o senador tucano Ricardo Ferraço. Ou seja: o PSDB lançaria uma chapa pura competitiva e ainda teria a retaguarda da máquina.

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