‘Gosto do Padilha, nunca faria nada para prejudicá-lo’

Ex-assessora garante ter pedido e obtido do ministro atestado de funcionamento de instituto fantasma

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo,

10 Dezembro 2010 | 23h01

BRASÍLIA - Em entrevista ao Estado, Crisley Lins, ex-assessora do ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, deu detalhes de sua relação profissional com o petista e contou como pediu a ele o atestado de funcionamento do Inbrasil, instituto fantasma que recebeu R$ 3,1 milhões do governo em 2010 e foi criado para turbinar os negócios de uma empresa de marketing.

 

"Gosto muito do Padilha e ele confia muito em mim", disse, em conversa gravada na última quinta-feira. Ela hoje trabalha para o deputado Paulo César (PR-RJ), que também destinou emendas ao Inbrasil. Durante a entrevista, Crisley recebeu o relato do Estado de que o ministro havia negado a autoria da assinatura. Em seguida, ela falou com Padilha por telefone.

 

Você conversou com o ministro após esse episódio (a revelação, pelo Estado, de que o ministro havia negado a autoria da assinatura)?

 

Sim. Ele me disse: ‘Cris, eu juro que não assinei isso.’ Eu falei para ele que veio de lá. Ele falou para mim que não assinou e eu lembrei que falei com ele. É aquela história: eu gosto muito do Padilha e ele confia muito em mim. Ele sabe que eu nunca iria fazer nada para prejudicá-lo e ele nunca iria me prejudicar em nada. Querendo ou não, no final disso tudo, está parecendo que eu falsifiquei um documento.

 

Eu conheço muito o Padilha e ficaria muito chateada de ele ter me feito um favor e ser prejudicado por isso. Tenho certeza de que o Padilha não faz essas falcatruas porque trabalhei com ele muitos anos.

 

Você trabalhou quanto tempo com o ministro Padilha?

 

Não foi menos de três anos. Quando ele foi promovido, eu o acompanhei.

 

Como foi a conversa sobre o documento do Inbrasil?

 

Eu estou achando que ele não está lembrando. Porque era época de eleição, pré-campanha. Eles estavam fazendo reunião. E ele sempre naquele desespero. No dia eu liguei e falei: ‘Doutor, estou precisando de uma ajuda. Ele disse: ‘Manda para a assessoria, que resolve.’ Eu redigi e enviei para a assessoria. Eu recebi do gabinete dele o arquivo eletrônico.

 

Ele disse que o timbre e alguns dados dele estão errados...

 

Quem fez errado foi a assessoria, porque não tenho os dados dele.

 

E agora, como resolver isso?

 

Eu preciso descobrir qual o assessor que fez. Por eu já ter trabalhado com ele, eles sabem que de forma alguma vou prejudicá-lo. Eu tenho espaço aberto com todo mundo. Eles pensam: ‘Se a Cris mandou é porque está autorizado.’

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