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Goleada em campo não vai influenciar eleição, diz Planalto

BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

09 Julho 2014 | 02h 03

Depois de Alemanha fazer quinto gol, torcida do Mineirão repete xingamentos da abertura da Copa; Aécio também foi alvo de ofensas

Com a derrota acachapante do Brasil para a Alemanha um dia depois de a presidente Dilma Rousseff divulgar foto fazendo pose de Neymar e confirmar que vai entregar a taça da Copa do Mundo ao campeão no domingo, o Palácio do Planalto apressou-se em minimizar, logo após o jogo, os eventuais efeitos negativos da eliminação na eleição.

Na tentativa de impedir a associação de Dilma com o fracasso do time de Luiz Felipe Scolari, o Planalto adotou o discurso de que o Brasil organizou uma Copa de primeiro mundo.

"Assim como todos os brasileiros estou muito, muito triste com a derrota", escreveu Dilma no Twitter, minutos após encerrado o jogo pela semifinal do Mundial. "Sinto imensamente por todos nós, torcedores, e pelos nossos jogadores. Mas não vamos nos deixar alquebrar. Brasil, levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima."

Os torcedores presentes no Mineirão voltaram a xingar Dilma no intervalo da partida, quando a Alemanha já vencia por 5 a 0 - a exemplo do que ocorreu na abertura da Copa, com a presidente presente no estádio Itaquerão.

O Planalto teme que novas hostilidades venham a ocorrer no domingo, no Maracanã. Anteontem, num bate-papo com internautas numa rede social, Dilma ironizou críticos do torneio e afirmou que as vaias "são ossos do ofício". Ontem, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, procurou neutralizar o mal-estar com o que chamou de "balde de água fria" nas expectativas da população. Para Carvalho, quando começar a propaganda política na TV, em 19 agosto, ninguém se lembrará mais do "vexame" brasileiro na Copa do Mundo.

Avaliação. "Eu sempre disse que quem quisesse tirar proveito eleitoral da Copa ia quebrar a cara", afirmou Carvalho. "A Copa é a Copa. Em agosto o clima será outro. Agora é um momento de purgação e de sofrimento, mas em agosto a página estará virada. Enquanto governo demos conta de fornecer tudo e a infraestrutura funcionou perfeitamente. Eleição é outro capítulo", disse o ministro.

Embora o caos previsto pela oposição na organização da Copa não tenha ocorrido, o Planalto teme que o trauma da população com o fracasso do Brasil afete a autoestima dos brasileiros e provoque, sim, impacto eleitoral.

O senador Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador Eduardo Campos (PSB), os dois principais candidatos de oposição à Presidência, solidarizaram-se com a torcida brasileira pela derrota do Brasil para a Alemanha por 7 a 1. Campos lamentou a derrota do Brasil, lembrando que é possível voltar mais forte. Aécio assistiu ao jogo no estádio e foi alvo de xingamentos, nos mesmos termos em que Dilma também foi hostilizada: "Ei, Aécio, vai tomar no c...", gritou parte da torcida em um momento (mais informações ao lado).

Tanto o candidato tucano quanto o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmaram, nos últimos dias, que Dilma tenta se aproveitar politicamente da Copa do Mundo.

"O povo brasileiro fez uma festa linda durante toda Copa, mas o sonho do hexa foi, por ora, adiado. Tenho certeza de que voltaremos mais fortes em 2018", afirmou Eduardo Campos pelo Facebook.

O candidato a vice-presidente na chapa do tucano, senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), seguiu à risca a orientação de separar futebol e eleição. "Acho que a notícia mais preocupante do dia foi o índice do IPCA que aponta alta da inflação. Os 6,5% de inflação são mais preocupantes que o 7 a 1, isso sim é um golpe na autoestima dos brasileiros. Mas não acredito que isso vá influenciar no resultado das eleições", afirmou.

O ex-governador Alberto Goldman, coordenador de campanha de Aécio em São Paulo, foi na mesma linha: "Isso não muda nada nas eleições. Nunca acreditei que a vitória do Brasil ajudasse o governo". / VERA ROSA, TÂNIA MONTEIRO, LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI, SUZANA INHESTA, DÉBORA BERGAMASCO, DÉBORA ÁLVARES e FÁBIO BRANDT

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