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Wilton Junior|Estadão

Gleisi chama Dilma como sua testemunha na Lava Jato

Senadora arrolou a ex-presidente em ação no Supremo Tribunal Federal na qual é acusada de receber R$ 1 milhão do esquema de corrupção na Petrobrás para sua campanha em 2010

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Breno Pires e Rafael Moraes Moura ,
O Estado de S. Paulo

15 Março 2017 | 13h12

Brasília - A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ré em ação penal no Supremo Tribunal Federal, acusada de solicitar e receber R$ 1 milhão em um esquema de corrupção na Petrobrás para a campanha ao Senado em 2010, incluiu como testemunha de defesa a ex-presidente Dilma Rousseff e a ex-presidente da Petrobrás Graça Foster.

Gleisi, que foi ministra da Casa Civil entre 2011 e 2014, no primeiro mandato de Dilma Rousseff, convocou também como testemunhas Beto Vasconcelos, que foi secretário-Executivo da Casa Civil, e Ivo da Motta Azevedo Corrêa, que foi subchefe de Assuntos Jurídicos da pasta enquanto ela era ministra. Ela também arrolou como testemunhas de defesa José Augusto Zaniratti, coordenador geral da campanha dela em 2010, Ronaldo Balthazar, tesoureiro da campanha. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) também foi listado.

Também são réus junto com Gleisi o ex-ministro dos governos Lula e Dilma Paulo Bernardo — marido dela — e o empresário Ernesto Kugler Rodrigues. A ação penal foi aberta depois que a 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, em setembro de 2016, recebeu denúncia do Procurador-geral da República contra os três.

No documento em que requer a intimação das testemunhas, a defesa de Gleisi Hoffmann também reitera "todas as razões de fato e de direito demonstradas em sua defesa preliminar". O advogado Rodrigo Mudrovitsch destaca também que há "insubsistência formal e material da acusação, seja porque a denúncia é patentemente inepta e carece de justa causa para a sua deflagração, seja porque as imputações nela irrogadas revelam-se de todo improcedente".

A acusação contra os três réus tem base nas delações premiadas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Yousseff. Eles revelaram que, em 2010, R$ 1 milhão do esquema de propinas da Petrobrás foi destinado à campanha eleitoral da petista ao Senado.

Conta na denúncia que Paulo Roberto disse ter sido procurador em 2010 pelo então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que lhe teria solicitado R$ 1 milhão para a campanha da esposa ao Senado. O doleiro Alberto Youssef e o empresário Ernesto Kugler teriam operacionalizado o repasse. As defesas negam as acusações. 

Gleisi é uma dentre os cinco parlamentares atualmente em exercício que se figuram na condição de réus na Lava Jato. Também o são o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) e os deputados federais Nelson Meurer (PP-PR), Aníbal Gomes (PMDB-CE) e Vander Loubet (PT-MS), que teve aceita ontem denúncia. 

 

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