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Gim Argello emprega ex-assessor de Arruda flagrado recebendo dinheiro

Ricardo Brito e Andreza Matais - O Estado de S. Paulo

26 Dezembro 2013 | 21h 41

Em 2012, Omézio Ribeiro Pontes foi filmado quando recebia dinheiro de Durval Barbosa, o delator do menalão do DEM; ele é acusado formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro

Brasília - O senador Gim Argello (PTB-DF) contratou como assessor de confiança o jornalista Omézio Ribeiro Pontes, flagrado em vídeo recebendo maços de dinheiro de Durval Barbosa, o delator do escândalo de corrupção em Brasília chamado de mensalão do DEM. Omézio foi assessor de imprensa do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, que se tornou em 2010 o primeiro chefe de Executivo preso no exercício do cargo. Arruda renunciou ao mandato da cadeia.

Em junho de 2012, a Procuradoria Geral da República denunciou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) o ex-governador de Brasília, Omézio Pontes e outras 35 pessoas por envolvimento no escândalo. Omézio foi acusado de ter praticado os crimes de formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro.

(imagens da internet)

Segundo a denúncia, o assessor de Argello se apropriou de parte dos recursos desviados de contratos públicos e, em outras ocasiões, fazia o repasse para envolvidos no esquema, inclusive deputados distritais.

No vídeo, Omézio aparece recebendo quatro maços de dinheiro das mãos de Durval Barbosa, autor da gravação escondida. Mascando chicletes, ele acondiciona os valores numa pasta preta e conversa com o delator do mensalão sem cerimônias.

O caso foi remetido à Justiça de Brasília porque somente a parte envolvendo o conselheiro do Tribunal de Contas do DF Domingos Lamonglia permaneceu no STJ. Até o momento, não houve julgamento pela Justiça da capital sobre o recebimento da denúncia.

No Senado, Omézio Pontes foi nomeado no dia 19 de julho deste ano para um cargo comissionado SF-01, o terceiro maior salário do gabinete, de acordo com a tabela remuneratória da Casa. Em novembro, último registro do Portal da Transparência, o jornalista recebeu R$ 13.452,28 de vencimento bruto.

Ficha Limpa. Duas semanas antes da nomeação do assessor de Gim Argello, no dia 2 de julho, o Senado aprovou uma proposta de emenda à Constituição que exige ficha limpa para o ingresso de todos os servidores públicos, sejam efetivos e comissionados. O texto, que desde então está na Câmara dos Deputados, prevê o impedimento de se ocupar cargo público quem, entre outras hipóteses, tenha sido condenado por corrupção. Ou seja, por ora, não há impedimento legal para assunção do cargo por Omézio.

Procurado pelo Broadcast Político, serviço de tempo real da Agência Estado, o jornalista preferiu não se pronunciar sobre o caso que corre contra ele na Justiça. "No momento certo, essas coisas vão ser justificadas", afirmou. Ele disse que, mesmo sabendo que vez por outra pode ser questionado, está trabalhando "dentro das normas legais" e que não há nada que o impeça de trabalhar no Senado. "Estou fazendo um trabalho técnico", destacou, ao dizer que tem cuidado da parte de assessoria de imprensa e de imagem do senador.

Omézio disse ainda que foi Gim Argello quem o procurou para contratá-lo. Em 2014, o senador, que é líder do bloco parlamentar que reúne PTB, PR e PSC, deve concorrer novamente ao Senado, cadeira que herdou em meados de 2007 após Joaquim Roriz, o titular do mandato, ter renunciado ao cargo para escapar da cassação.

'Não tem como'. Gim Argello afirmou nesta quinta-feira que não vê problemas em contratar como Omézio Pontes, flagrado em vídeo recebendo dinheiro de corrupção. "Se ele tiver alguma condenação, aí não tem como. Mas enquanto não for condenado como é que eu vou fazer?", disse o parlamentar.

O petebista destacou que, quando da nomeação de Omézio, não havia qualquer impedimento de ordem legal em relação ao assessor. "Ele pode estar respondendo a inquérito, mas não foi condenado em absolutamente em nada. Ele vive de quê? É um jornalista que nem você", afirmou. Ele disse não ter acompanhado o fato de Omézio ter sido denunciado pelo Ministério Público Federal antes da nomeação.

Questionado sobre o motivo pelo qual o assessor ter sido liberado do controle de ponto, o parlamentar disse que é sua chefia de gabinete quem faz esse tipo de controle dos funcionários do gabinete.

Gim Argello disse que seu assessor está sempre trabalhando para ele e fica no plenário "até mais tarde" acompanhando as sessões de votação. "(Ele) fica circulando, essa profissão de vocês não fica muito preso", completou.