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Gilmar Mendes acusa 'bandidos' de tentar intimidar STF

REUTERS

29 Maio 2012 | 21h 14

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta terça-feira que "bandidos" e "gângsters" estão tentando intimidar a Corte por conta do julgamento do mensalão, que deve ser realizado nos próximos meses.

O ministro disse ainda a jornalistas ter recebido informações de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o "centro de divulgação" de alegações de que o magistrado teria relações com o empresário Carlinhos Cachoeira, que está no epicentro de uma CPI que investiga suas relações com empresários e políticos.

A reação de Mendes vem em meio à polêmica provocada pela publicação pela revista Veja do último fim de semana de relatos do ministro segundo os quais Lula teria tentado pressioná-lo a apoiar o adiamento do julgamento do mensalão em troca de proteção na CPI.

Em declaração a jornalistas, o ministro respondeu às alegações de que teria voado em jatinho de Cachoeira, preso desde fevereiro acusado de comandar uma rede de jogos ilegais.

"Vamos parar de fofoca! Nós estamos lidando com gângsters. Estamos lidando com bandidos. Bandidos que ficam plantando essas informações", disse o ministro a jornalistas.

"Ele (Lula) recebeu esse tipo de informação. Gente que o subsidiou com esse tipo de informação, e ele acreditou nela", acrescentou.

"Grupo de chantagistas. Bandidos. Desrespeitosos. Mas eles não queriam me constranger não, queriam constranger o tribunal. Vamos encerrar com isso. Não quero ter relações com bandidagem", esbravejou.

"O objetivo é melar o julgamento do mensalão. Esse era o objetivo. É dizer 'o Judiciário está envolvido em uma rede de corrupção'. É isso! Tentaram fazer isso com o Gurgel e estão tentando fazer isso comigo agora."

Mendes se referia à pressão de integrantes da CPI, especialmente petistas, sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, por conta do que consideram uma demora do procurador em acionar o STF após receber, em 2009, informações sobre a Operação Vegas, da Polícia Federal, que junto à Operação Monte Carlo servem de base para a CPI.

Mendes negou que teria viajado em jatos de Cachoeira e apresentou comprovantes de que uma viagem que fez a Berlim, na Alemanha, onde mora sua filha, não foi paga pelo empresário.

Segundo relato da revista, Lula teria mencionado um suposto encontro entre Mendes e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) ao oferecer proteção ao ministro na CPI.

Demóstenes é alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética do Senado por suas relações com Cachoeira.

Mendes reconheceu que por duas oportunidades viajou em aviões a convite de Demóstenes, mas afirmou que nas duas ocasiões a aeronave era de uma companhia de táxi aéreo.

"Eu preciso que alguém pague a minha passagem, gente? O meu livro 'Curso de Direito Constitucional' vendeu de 2007 até agora 80 mil exemplares. Dava para dar algumas voltas ao mundo", argumentou.

O ministro voltou a defender celeridade no julgamento do mensalão, escândalo deflagrado em 2005, durante o primeiro mandato de Lula, no qual parlamentares receberiam dinheiro em troca de apoio político ao governo.

Na avaliação dele, o STF ficará "desmoralizado" se demorar a julgar o caso.

"Vão sair dois experientes juízes, que participaram do julgamento anterior, virão dois novos", disse Mendes, numa referência aos ministros Carlos Ayres Britto, atual presidente da Corte, e Cezar Peluso, que se aposentam compulsoriamente do Supremo neste ano, pois completam 70 anos de idade.

"Por isso, o tribunal tem que julgar neste semestre. Por isso que tem que julgar logo. E por isso essa pressão para que o tribunal não julgue. Vamos encerrar com isso", completou.