Andre Dusek/Estadão
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Gilmar diz que vê ‘com muito constrangimento’ suposto jogo duplo de Miller

Ministro do STF disse que houve “perplexidade” com o fato de ter se dado “imunidade máxima” aos colaboradores

Rafael Moraes Moura, Breno Pires, Carla Araújo e Beatriz Bulla, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2017 | 18h42

BRASÍLIA - O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou nesta quarta-feira, 20, o acordo de colaboração premiada firmado pelo Ministério Público Federal (MPF) com o grupo J&F.

“Embora líderes de organização eles foram perdoados pela procuradoria com a máxima benevolência”, criticou Gilmar Mendes, ao tratar da delação premiada firmada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista.

O ministro disse que houve “perplexidade” com o fato de ter se dado “imunidade máxima” aos colaboradores.

Gilmar Mendes também afirmou que houve “constrangimento” com a atuação do então procurador da República Marcello Miller “nos dois lados do balcão”. Miller é acusado de ter atuado para o grupo J&F antes mesmo de se desligar oficialmente da Procuradoria-Geral da República (PGR).

“Deus é brasileiro, porque diante de tanta inapetência, de tanta complacência com malfeitos, acontece um fenômeno como esse: os bandidos confessam a bandidagem”, disse Gilmar Mendes, ao fazer referência ao áudio de Joesley e do executivo Ricardo Saud entregue pelos próprios delatores.

“Infelizmente, pra constrangimento geral, isso não se deu graças à investigação do Ministério Público. Talvez em parte graças à atuação da Polícia Federal, de forma indireta, mas isso se deu graças à iniciativa dos próprios delatores. Esse é o constrangimento geral. Foram os próprios delatores que entregaram a gravação”, comentou Gilmar Mendes. 

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