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Gilberto Carvalho é vaiado no Rio em evento sobre a Copa

Luciana Nunes Leal

29 Abril 2014 | 09h 11

Manifestantes chegaram a colocar rolo de papel higiênico diante de ministro

RIO - O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, foi agredido verbalmente, vaiado e ridicularizado por manifestantes que participavam de um debate sobre Copa do Mundo, no Rio de Janeiro, nessa segunda-feira, 28. Um dos militantes chegou a colocar um rolo de papel higiênico diante do ministro, depois de protestar contra a violência da polícia do Rio e das ameaças de remoções. Carvalho ficou calado, mas, contrariado, balançou a cabeça negativamente.

A ativista Elisa de Quadros Pinto Sanzi, a Sininho, referiu-se a Carvalho como "palhaço" e "ministro da Suíça". Outro manifestante da Frente Independente Popular (FIP) disse que o lugar de Carvalho era "sete palmos abaixo do chão". Quando uma faixa foi estendida com os dizeres "não vai ter Copa" durante o debate, o ministro tomou a palavra. "Nada vai ser resolvido no grito. Vamos ouvir os companheiros e quem sabe desconfiar que não somos os donos da verdade", disse Carvalho.

Na chegada ao encontro, no Sindicato dos Bancários, o ministro voltou a reconhecer que o governo demorou a se mobilizar para mostrar os benefícios da Copa e também para dialogar com os movimentos sociais contrários à realização do campeonato. Ele se disse favorável aos protestos, mas mostrou-se preocupado com atos violentos.

"Tomara que tenha manifestação. É importante que os turistas vejam o Brasil com sua democracia pulsante. Nossa preocupação é a violência, mas estamos preparados para ela. Trabalhamos fortemente um protocolo com as polícias militares. Para evitar que seja um fator de agravamento das violências", afirmou.

Um princípio de tumulto interrompeu durante alguns minutos o debate. Integrantes do Sindicato dos Estivadores interpelaram um militante da FIP, que se identificou apenas como Marcelo, desconfiados de que ele levava ovos para atirar nas autoridades presentes. Marcelo se recusou a abrir a bolsa e houve um princípio de empurra-empurra com gritos dos dois lados. Alguns jovens na plateia gritaram que havia milicianos e os sindicalistas reagiram, dizendo que são trabalhadores.

Carvalho foi questionado por integrantes de movimentos sociais sobre investimentos do governo. Uma moradora do Horto, na zona sul, onde famílias estão ameaçadas de remoção, reclamou das más condições das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), diante do dado de que a União investiu R $ 825, 3 bilhões em Saúde e Educação desde 2010. Um integrante da União Nacional dos Estudantes (UNE) questionou gastos com Segurança Pública. "Em que política de segurança o governo investe? A que continua exterminando preto, pobre e favelado?", indagou o Estudante.

O diretor do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, José Olinto, reivindicou providências para evitar as agressões a profissionais que cobrem manifestações, especialmente por parte da polícia. Ele entregou um documento ao ministro com casos de agressões sofridas por jornalistas no Rio. A certa altura, a plateia entoou o coro de "não vai ter Copa".

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