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Gestão tucana deu versões diferentes sobre comissionados

Pedro Venceslau e Daniel Bramatti - O Estado de S. Paulo

13 Março 2014 | 23h 34

Governo de São Paulo apresenta pela terceira vez informação diferente sobre o funcionalismo na administração Alckmin

O governo de São Paulo apresentou nesta quinta-feira, 13, a terceira versão do número de funcionários comissionados não concursados que trabalham na administração. Em março de 2013, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) havia divulgado sua primeira pesquisa sobre funcionalismo nos Estados, o Estadic. Nesse trabalho, o dado relativo a São Paulo indicava que havia 7.747 ocupantes de cargos comissionados na administração direta e indireta em 2012.

Na reportagem feita na época pelo Estado, o governo, por meio da Secretaria de Gestão Pública, contestou os números do instituto federal – ligado ao Ministério do Planejamento, em Brasília –, embora o próprio governo paulista fosse a fonte dos dados publicados.

Em nota oficial, a secretaria disse então ao jornal que 5.393 pessoas trabalhavam para o governo em cargos comissionados sem concurso. Ou seja, disse que havia menos comissionados do que o informado pelo IBGE.

Uma nova versão surgiu depois. Em julho do ano passado, o governo paulista enviou ao IBGE uma retificação dos dados da pesquisa referentes aos números de 2012. Com isso, mudou a base de referência para avaliar a evolução do funcionalismo até 2013. O governo Geraldo Alckmin informou então que, em 2012, o número correto não eram os 7.747 informados inicialmente, também não eram os 5.393 divulgados à imprensa. São Paulo tinha em 2012, na verdade, 13.805 funcionários comissionados, informou o governo estadual.

Nesta quinta, ao justificar tantas mudanças, a assessoria de imprensa do governador afirmou que houve uma "pequena variação natural". Ocorre que os números corrigidos no ano passado se referem a um período estanque: a base de dados do funcionalismo em 2012.

Queda de braço. O problema todo foi que o IBGE desconsiderou essa correção ao divulgar os dados do segundo Estadic. A avaliação do governo Geraldo Alckmin é que o instituto teve tempo suficiente para rever os dados e publicar a versão correta, o que não foi feito.

À noite, a Secretaria de Gestão de Alckmin divulgou uma nota reafirmando o número de 13.805. A pasta afirmou ainda que os comissionados "foram contratados com o devido rigor no cumprimento ao que estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal".