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Geddel integra chapa de oposição ao PT na Bahia

TIAGO DÉCIMO - Agência Estado

10 Abril 2014 | 16h 41

Após cinco meses de negociação, a oposição ao governo do petista Jaques Wagner na Bahia conseguiu consolidar uma chapa única para a disputa da próxima eleição. A principal dificuldade estava na definição do candidato ao governo: enquanto o DEM, hoje liderado no Estado pelo prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, preferia a indicação do ex-governador Paulo Souto, o PMDB, que faz oposição ao PT na Bahia, tentava emplacar a candidatura do ex-ministro da Integração Nacional Geddel Vieira Lima.

Na manhã desta quinta-feira, foi anunciada, pelas redes sociais, a candidatura de Souto ao governo, de Geddel ao Senado e do ex-deputado tucano Joaci Góes, relator do Código de Defesa do Consumidor, a vice-governador. Tanto Geddel quanto Góes militaram contra o chamado "carlismo" na Bahia - grupo político liderado pelo senador Antônio Carlos Magalhães (morto em 2007), do qual Souto participou, que comandou a política no Estado por quatro décadas. O anúncio oficial será feito em um evento na próxima segunda-feira. "É uma chapa para vencer a eleição", disse Geddel, admitindo o insucesso de sua tentativa de ser o candidato a governador pelo grupo.

Ex-ministro do governo Luiz Inácio Lula da Silva e ex-vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, por indicação da presidente Dilma Rousseff, Geddel preside o PMDB na Bahia e faz oposição ao governo Wagner desde a metade do primeiro mandato do petista. Agora, apesar do apoio nacional de seu partido à candidatura à reeleição de Dilma Rousseff, vai integrar o grupo que apoia a candidatura de Aécio Neves (PSDB) à Presidência na Bahia. "Os diretórios estaduais têm autonomia para definir suas posições", diz o líder peemedebista.

ACM Neto comemorou a conclusão das negociações que levaram Souto à quinta disputa de eleição ao governo baiano - venceu em 1994 e 2002 e perdeu em 2006 e 2010. "A união das oposições foi mantida e vamos disputar as eleições mais fortes do que nunca", escreveu em sua página no Twitter, ao anunciar a chapa majoritária para as eleições. Pouco depois, o prefeito de Salvador, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que o momento, agora, é de tentar atrair mais partidos para o bloco. "Existem muitos partidos que podem participar desta grande aliança, alguns já estão conversados e sinalizam o desejo de caminhar com Paulo Souto no governo e Geddel no Senado", afirmou. "Agora, nosso esforço será no sentido de costurar a mais ampla aliança possível, com o objetivo de fortalecer ainda mais a chapa."

Dois dos principais alvos do grupo, o PPS e o PV, também negociam com o PSB, que terá a candidatura da ex-prefeita de Salvador Lídice da Mata. O posto de vice na chapa está vago e a candidata ao Senado pela legenda será a ex-corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Eliana Calmon.

Do lado governista, a chapa está definida desde o fim de março. Concorre ao governo o ex-secretário da Casa Civil de Wagner, Rui Costa (PT), tendo como candidatos a vice o deputado João Leão (PP) e ao Senado o ex-vice-governador Otto Alencar (PSD) - Leão e Alencar integravam o grupo carlista até o início dos anos 2000. Para o governador, que já enfrentou Souto em três eleições - perdeu a de 2002 e venceu as duas últimas -, a definição da chapa da oposição "não traz surpresas".