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Gabrielli não comenta demissão de primo da Petrobrás

FERNANDO TRAVAGLINI, ENVIADO ESPECIAL, E TIAGO DÉCIMO - Agência Estado

29 Março 2014 | 19h 09

O ex-presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, disse neste sábado, 29, que não tem nada para comentar sobre a demissão de seu primo, José Orlando Azevedo. "A Petrobrás é que tem que falar", afirmou em evento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na Bahia.

A demissão de Azevedo aconteceu na quinta-feira, 27, um dia depois de o Estado revelar que Gabrielli havia nomeado o primo para cuidar da estatal nos EUA, a Petrobrás América, quando a petroleira e a empresa belga Astra Oil estavam em litígio em torno do negócio da  compra da refinaria de Pasadena.

Gabrielli afirmou ainda que foi ao Senado e falou por três horas "para explicar as estratégias e as razões econômicas da operação". "Desmontei a falsidade da informação que está sendo veiculada insistentemente dos US$ 42 milhões, do preço inicial, do US$ 1,1 bilhão do preço da refinaria. Expliquei que o mercado naquele momento era outro."

O ex-presidente da Petrobrár disse também que o preço da refinaria, em termos de ativo, foi de US$ 486 milhões. "Isso, a 100 mil barris por dia, corresponde a US$ 4.860 por barril. Desafio qualquer analista a dizer que este preço está acima do mercado, mesmo com a disputa judicial." "O custo de refinaria foi de US$ 486 milhões, o US$ 1,2 bilhão corresponde ao custo da matéria prima adquirido, as garantias bancárias e o processo judicial. Portanto, não é custo da refinaria", completou.

Ele argumentou ainda que é preciso ponderar que a refinaria está produzindo. "Se ela hoje produz 100 mil barris por dia, a US$ 100 dólares o barril, são US$ 10 milhões de faturamento diário. US$ 3,6 bilhões por ano de faturamento. Isso não conta?", pergunta. "A usina está dando lucro."

Ele também se defende dizendo que a "exacerbação das informações é claramente campanha eleitoral da oposição contra a presidente Dilma Rousseff". Perguntado se iria à CPI da Petrobrás caso seja convocado, disse que sim. "Devo ser um dos poucos que vai enfrentar duas CPIs", finalizou.

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