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Gabrielli admite que Abreu e Lima 'está cara'

Ricardo Brito e Débora Álvares - O Estado de S. Paulo

25 Junho 2014 | 21h 48

Ex-presidente diz à CPI mista que há excesso no custo da obra de refinaria em Pernambuco

O ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli admitiu nesta quarta-feira, 25, que a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, “sem dúvida nenhuma está cara”. Prevista para ser concluída no fim do ano, a obra foi estimada em 2005 por US$ 2,5 bilhões pela estatal, mas o custo atual está em US$ 18,5 bilhões.

Em depoimento à CPI mista da Petrobrás, Gabrielli contestou o valor inicial da obra, mas reconheceu que os gastos com o empreendimento têm sido elevados. Abreu e Lima é um dos principais focos das investigações realizadas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato. A suspeita, que entrou também na mira da CPI, é que contratos e aditivos contratuais foram superfaturados e parte dos recursos desviada para pagar propina a funcionários públicos e políticos. O esquema seria operado pelo ex-diretor Paulo Roberto Costa, preso pela PF.

 

No terceiro depoimento ao Congresso neste ano, Gabrielli disse que, se fosse o “dono da Petrobrás”, não faria Abreu e Lima pelo custo atual, mas defendeu a obra como necessária para aumentar a capacidade de fornecimento de combustível no Centro-Oeste e no Nordeste.

 

O ex-presidente da Petrobrás disse que, na avaliação do preço do empreendimento, é preciso ponderar o câmbio e a ampliação do projeto original, com obras não previstas por outras refinarias. “Então, essas são diferenças que existem. Portanto, é uma refinaria que está cara, sem dúvida nenhuma está cara”, afirmou.

 

Pasadena. Gabrielli voltou a defender a compra da refinaria de Pasadena (EUA). Para ele, a aquisição foi “barata” e “abaixo do preço de mercado”. Gabrielli disse que o custo por barril das duas metades da refinaria foi de US$ 5,54 mil, ante um preço médio de US$ 10 mil nos Estados Unidos - Abreu e Lima está em US$ 87 mil, mas é uma refinaria mais “complexa”, segundo o ex-presidente da estatal.

 

Mais uma vez, Gabrielli isentou Dilma Rousseff de responsabilidade pela compra da primeira metade de Pasadena. Em nota ao Estado em março, a presidente afirmou que não fecharia o negócio caso tivesse tido acesso a todas as cláusulas contratuais. A compra de 100% da refinaria provocou prejuízo de US$ 530 milhões, segundo Gabrielli.

 

O ex-presidente da estatal disse que não sabe qual posição Dilma tomaria se soubesse das cláusulas e destacou que seria uma “irresponsabilidade” fazer qualquer inferência a respeito.

 

O relator da CPI mista, deputado Marco Maia (PT-RS), adotou uma tática diferente da de duas semanas atrás, quando fez um questionário de 139 perguntas à sucessora de Gabrielli, Graça Foster. Dessa vez, as perguntas vieram dos oposicionistas.

 

Maia afirmou que o tempo foi gasto mais com “discursos do que perguntas”. O próprio Gabrielli chegou a dizer que o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno (PR), estaria usando a CPI para “fazer um espetáculo”. Bueno tentou retrucar e houve bate-boca, apartado cerca de um minuto depois.