Funaro mais uma vez desinforma autoridades do MPF, diz Planalto

Edição do jornal 'O Globo' desta quinta-feira, 21, afirma que delação de corretor fala que deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) 'redistribuía propina a Temer, com 110% de certeza'

O Estado de S.Paulo

21 Setembro 2017 | 22h29

BRASÍLIA - No mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu encaminhar ao Congresso a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República distribuiu nota rebatendo acusações do corretor Lúcio Funaro, que é conhecido como operador do PMDB da Câmara. De acordo com o Planalto, "o doleiro Lúcio Funaro mais uma vez desinforma as autoridades do Ministério Público Federal" e "todos imóveis do presidente Michel Temer foram comprados de forma lícita e estão declarados à Receita Federal".

A nota diz ainda que "Funaro continua espalhando mentiras e inverdades de forma contumaz, repetindo o mesmo roteiro de delações anteriores, em que traiu a confiança da Justiça e do Ministério Público, com já registrou a Procuradoria Geral da República".

Segundo mostrou o jornal O Globo, Funaro afirmou em delação que "Eduardo Cunha redistribuía propina a Temer, com '110%' de certeza" e que José Yunes, amigo e ex-assessor de Temer, lavava dinheiro para o presidente por meio da compra de imóveis. De acordo com o jornal, Funaro disse que Yunes, "além de administrar, investia os valores ilícitos em sua incorporadora imobiliária" e que não sabia se os imóveis adquiridos por Michel Temer estão em nome do presidente. Funaro destacou, porém, que sabia, por meio de Eduardo Cunha, que Temer tem um andar inteiro na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.

Na nota, o presidente, por meio de sua assessoria, informa que "o imóvel na Avenida Faria Lima, em São Paulo, por exemplo, foi adquirido no início de 2003", quando "Eduardo Cunha sequer era filiado ao PMDB". Em seguida, a nota distribuída pelo Planalto lista os imóveis do presidente, explicando que os recursos usados para aquisição deles vieram "de contas pessoais e aplicações do presidente, todos devidamente declarados em Imposto de Renda". Justifica também que "essas foram as economias usadas para adquirir as salas, pagas à vista" e acrescenta que "o prédio só foi entregue efetivamente em 2010". (Tânia Monteiro e Carla Araújo)

A seguir, a íntegra da nota à imprensa distribuída pelo Planalto:

"O doleiro Lúcio Funaro mais uma vez desinforma as autoridades do Ministério Público Federal. Todos imóveis do presidente Michel Temer foram comprados de forma lícita e estão declarados à Receita Federal. O imóvel na Avenida Faria Lima, em São Paulo, por exemplo, foi adquirido no início de 2003. Eduardo Cunha sequer era filiado ao PMDB no momento da compra.

Os recursos vieram de contas pessoais e aplicações do presidente, todos devidamente declarados em Imposto de Renda, assim distribuídos:

1 - R$ 220 mil aplicados em renda fixa no Banespa;

2 - R$ 323 mil aplicados em fundo de investimento no Santander;

3 - R$ 235 mil aplicados em fundo de investimento no Banco do Brasil;

4 - R$ 252 mil aplicados em fundo de investimento no Banespa;

5 - R$ 194 mil Crédito referente à parte de pagamento pela venda de casa na

rua Flávio de Queiroz Morais, 245

6 - R$ 1 milhão provenientes Temer Advogados Associados, honorários recebidos por ação do início da década de 1970.

Essas foram as economias usadas para adquirir as salas, pagas à vista. O prédio só foi entregue efetivamente em 2010. Funaro continua espalhando mentiras e inverdades de forma contumaz, repetindo o mesmo roteiro de delações anteriores, em que traiu a confiança da Justiça e do Ministério Público, com já registrou a Procuradoria Geral da República.

Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República"

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