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Fórum critica ataques à liberdade de imprensa

O Estado de S. Paulo

06 Maio 2014 | 21h 07

Para jornalistas, tentativas de líderes do PT de jogar a sociedade contra a mídia e de tachar veículos como partido de oposição ameaçam democracia

Brasília - Em encontro sobre liberdade de informação, em Brasília, as investidas de líderes do PT contra a imprensa foram repudiadas. Profissionais do setor, estudantes e juristas discutiram nesta terça-feira, 6, durante o 6.º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia, os desafios e as pressões políticas na cobertura das eleições deste ano.

O diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, avaliou que há uma tentativa de distorcer conceitos jornalísticos e jogar a sociedade contra repórteres e empresas de comunicação. "A tentativa de tachar a imprensa de partido da oposição é no mínimo perigosa para a democracia", afirmou. "O grande perigo que o jornalismo enfrenta é essa percepção distorcida da profissão que infelizmente alguns líderes importantes estão fomentando."

Nas últimas semanas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-ministro Franklin Martins (Comunicação Social) focaram seus discursos contra veículos de comunicação. Documento elaborado por Falcão sobre a campanha eleitoral classificou a imprensa como "mídia monopolizada, que funciona como verdadeiro partido de oposição".

Ricardo Gandour avaliou que a estratégia dos "líderes influentes" desconsidera uma atividade profissional que tem por característica mostrar o que está oculto e incomodar quem está no poder. "Não existe jornalismo que não incomoda", ressaltou. "Agora, jogar o incômodo natural que o jornalismo provoca, transladado para o conceito de oposição, acoplado à palavra ‘partido’, é uma injustiça contra a imprensa", completou. "Todos nós precisamos de uma imprensa livre."

No evento organizado pela Revista Imprensa, no auditório do Museu da Imprensa Oficial, Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de S.Paulo, disse que a investida de Lula contra a imprensa se agrava pela força da "figura" política do ex-presidente. Ela observou que a relação entre jornalistas e o PT era muito próxima quando o partido estava na oposição no âmbito federal. "É muito grave quando um líder com a influência e a visibilidade do ex-presidente Lula mantenha o mantra de que a imprensa persegue o bem", afirmou. "A imprensa é um fator importante para a democracia de qualquer parte do mundo", completou. "O PT e o Lula incitam manifestações contra nós. O ex-presidente está fazendo um grande mal à democracia."

Em tom de desabafo, Denise Rothenburg, colunista do jornal Correio Braziliense que acompanha o cotidiano político de Brasília, reclamou do clima gerado contra a imprensa. "Ninguém aguenta mais a acusação de que fazer uma matéria crítica é um golpe", disse. "O que falta é equilíbrio." A jornalista Cristina Serra, da TV Globo, disse que a sociedade brasileira vive um clima de litigância e os jornalistas enfrentam pressões da política e do Judiciário. Cristina disse ainda acreditar "no papel de mediação do jornalista".

Ricardo Gandour observou que o jornalismo brasileiro fiscaliza os poderes municipal, estadual e federal. Ele afirmou que é natural que o governo central seja mais exposto à fiscalização. "A história está aí mostrando que todos os atores políticos são sujeitos e pacientes da imprensa, que amadure e melhora com a liberdade de informação", disse.

O jornalista destacou que a estratégia dos políticos de atacar a imprensa aproveita o desconhecimento das novas gerações e dos novos públicos das redes sociais em relação aos gêneros jornalísticos. Ele observou que antes se diferenciava mais um texto editorial, opinativo e informativo. "Eles distorcem conceitos essenciais da imprensa num momento em que a gente pode estar correndo o risco de deseducação midiática na alternância de gerações", afirmou.

"Há um reducionismo e uma simplificação que ajuda a jogar a opinião pública e a sociedade contra a imprensa." Avaliou ainda que os veículos de comunicação já passaram, nos últimos tempos, por riscos provocados pela mudança de plataforma, como a fragmentação da publicidade e a transição do impresso para novas mídias. Resta, na análise de Gandour, o "perigo" das investidas dos políticos contra o trabalho dos repórteres e empresas de comunicação.

 

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