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Filho de deputado confirma à PGR ter procurado Cunha após depoimento à Lava Jato

Felipe Diniz é suspeito de ter intermediado um depósito de 1,3 milhão de francos suíços para conta que tinha como beneficiário o presidente da Câmara

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Beatriz Bulla e Daniel Carvalho,
O Estado de S.Paulo

21 Janeiro 2016 | 18h42

BRASÍLIA - Suspeito de ter intermediado o depósito de 1,3 milhão de francos suíços para conta que tinha como beneficiário Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o economista Felipe Diniz confirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) ter procurado o presidente da Câmara depois de prestar depoimento aos investigadores da Lava Jato, em outubro de 2015. Em nova oitiva prestada em dezembro, Diniz disse ter ido ao encontro sem avisar ao peemedebista e relatou ter sido mandado embora da residência oficial por Cunha. Felipe Diniz é filho do ex-deputado Fernando Diniz (PMDB-MG), morto em 2009.

A ida do economista à casa de Cunha após o primeiro depoimento à PGR, de outubro, levantou suspeitas sobre o motivo do encontro entre os dois. Na oitiva, no entanto, Diniz disse ter recorrido a Cunha para tratar de um imbróglio judicial envolvendo pagamento de pensão pela Câmara dos Deputados a uma namorada do seu pai. Segundo relatou à PGR, Diniz foi sozinho à residência oficial do presidente da Câmara e sem comunicar sua ida. O peemedebista questionou o motivo da ida de Felipe Diniz sem prévio aviso.

Diniz afirmou aos investigadores que nem chegou a entrar na casa, “pois Eduardo Cunha disse que seria prejudicial se vissem ambos juntos, pois haveria interpretações variadas”. “Que até então o declarante (Diniz) acreditava que não haveria qualquer problema em ir à residência de Eduardo Cunha, pois já havia prestado seu depoimento ao Ministério Público sobre os fatos”, consta no relatório do depoimento. Ele deixou o imóvel sem “sequer adentrar ou conversar com o parlamentar sobre outro tema” e afirma não ter tratado sobre seu depoimento no curso das investigações.

O novo depoimento de Diniz foi anexado ao inquérito que investiga as contas internacionais ligadas ao deputado a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Diniz disse que não avisou seus advogados que iria até a residência de Cunha e nega ter tido contato com o peemedebista ou com o lobista João Henriques depois deste fato. Ele afirmou ainda que não foi ameaçado e “tampouco sofreu qualquer tipo de pressão” em razão do seu depoimento para os investigadores da Lava Jato.

O caso. João Henriques, apontado pela Força-Tarefa da Lava Jato como lobista do PMDB, disse em depoimento ter feito depósitos a pedido de Felipe Diniz, sem saber quem seria o destinatário. O empresário alega ter descoberto recentemente que os valores foram repassados a Cunha. Já Felipe Diniz disse à PGR em outubro que, apesar de se relacionar com Cunha e Henriques, não tratou do negócio com nenhum dos dois.

Em depoimento em dezembro do ano passado, o advogado Bruno Catsiamakis Queiroga, amigo e sócio de Felipe Diniz, admitiu à Procuradoria-Geral da República ter assinado como testemunha um contrato entre empresas suspeitas de irrigar com 1,3 milhão de francos suíços um dos trustes (espécie de fundo de investimento) que tem como beneficiário Eduardo Cunha.

No depoimento prestado em outubro, Felipe Diniz confirmou que Cunha era um amigo da família, mas negou tratar de negócios com o deputado. Ele disse ainda nunca ter indicado nenhum negócio para João Henriques.

Após a visita de Diniz, em novembro, os advogados de Cunha afirmaram que o deputado foi “surpreendido” com a presença do economista em sua casa. “Por não o ter convidado, e por desconhecer a motivação da sua presença na residência - que aliás causou profunda estranheza - de imediato o informou ser totalmente impertinente a visita. O parlamentar disse a ele, ainda, que caso tivesse algo a dizer, que procurasse seus advogados”, consta na nota da defesa de Cunha do ano passado, reiterada hoje pelo presidente.

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