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Figueiredo defende legitimidade da Unasul em crise

LISANDRA PARAGUASSU - Agência Estado

03 Abril 2014 | 15h 14

O ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, defendeu nesta quinta-feira a legitimidade da União de Nações Sul-americanas (Unasul) na mediação da crise na Venezuela. O ministro se recusou a comentar diretamente as acusações feitas ontem pela deputada venezuelana Maria Corina Machado, que disse aos senadores brasileiros que a organização não tinha a confiança dos venezuelanos como mediadora. Figueiredo reforçou, ainda, que a Unasul foi capaz de conversar com todas as forças políticas envolvidas na crise do país.

"Tivemos amplo acesso a todas as forças políticas, econômicas, sociais, aos estudantes. Tivemos um diálogo muito aprofundado que, creio, conseguiu gerar uma confiança muito grande entre essas forças políticas e a Unasul. Deixamos muito claro que estávamos lá para apoiar a conciliação nacional" afirmou o ministro em entrevista depois de um encontro com o chanceler do Chile, Heraldo Muñoz.

A deputada venezuelana, hoje a principal voz da oposição contra o presidente Nicolás Maduro, esteve ontem no Congresso brasileiro e falou por mais de três horas na Comissão de Relações Exteriores do Senado. Também teve um encontro reservado na Câmara dos Deputados. Quando questionada pelos parlamentares sobre o papel mediador da organização, afirmou que a Unasul "tem um sério problema de legitimidade" e não é um "mediador objetivo e imparcial".

"A intenção foi precisamente ajudar o governo e o povo venezuelano a encontrar um diálogo amplo e construtivo. A Unasul não pode apenas ficar olhando a polarização em um país irmão e não contribuir nas suas possibilidades", defendeu o chanceler chileno. Muñoz acredita que a presença da organização está sendo útil e que sem a participação da Unasul a aproximação para o diálogo seria ainda mais difícil.

Uma nova visita está sendo programada para a próxima semana. Dela deverão participar, a princípio, Figueiredo e os ministros das Relações Exteriores do Equador, Ricardo Patiño, e da Colômbia, María Angela Holguín. "Vamos voltar na medida em que nossa presença seja útil. São os atores externos amigos que podem contribuir, para acompanhar, sugerir, até quando seja necessário", afirmou Muñoz.

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