Robson Fernandjes/Estadão
Robson Fernandjes/Estadão

FHC diz que é preciso 'esperar para ver' se Lula é honrado como Dilma

Em entrevista sobre 'Diários da Presidência', tucano afirma que atual presidente 'até tentou se livrar de muitas coisas e não conseguiu', ao falar sobre casos de corrupção nos governos petistas

Ana Fernandes e Letícia Sorg, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2015 | 09h53

São Paulo - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou na noite desta segunda-feira, 27, que precisa "esperar para ver" se o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é uma pessoa tão "honrada" quanto sua sucessora, Dilma Rousseff. "Não vejo a Dilma pessoalmente envolvida (em corrupção). Quanto ao Lula tenho que esperar pra ver, tem muita coisa pra ser passada a limpo", disse o tucano, ao participar pela oitava vez do programa Roda Viva, da TV Cultura. A entrevista, sobre o lançamento do primeiro volume da série de livros Diários da Presidência, na qual FHC registrou o cotidiano no Palácio do Planalto, foi realizada no mesmo dia em que uma operação da Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em empresas de um dos filhos de Lula, Luís Cláudio Lula da Silva.

"Acho até que ela tentou se livrar de muitas dessas coisas e não conseguiu", disse FHC sobre ações de Dilma que, a seu ver, tentariam inibir atos de corrupção na administração federal e em empresas estatais. "Ela é pessoalmente honrada, mas politicamente ela também é responsável", observou, ao avaliar que não é possível um presidente não saber que há algo de errado quando existe um esquema de corrupção do tamanho do que existia na Petrobrás.

FHC disse brevemente que considera aceitável um ex-presidente dar palestras pagas por empresas, mas que vê com receio a atitude de "abrir portas", em especial quando essa ponte é feita para alguma empreiteira específica.

Petrobrás. FHC pediu uma pausa nas perguntas para fazer uma ressalva sobre uma passagem de Diários da Presidência que foi noticiado pela imprensa e repercutiu, segundo o tucano, de forma distorcida nas redes sociais. No trecho, o então presidente relata que pensou em intervir na Petrobrás depois de ser alertado, em outubro de 1996, pelo empresário Benjamin Steinbruch, ex-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de que a estatal petroleira era "um escândalo". FHC explicou que se referia à gestão da empresa, em que os próprios diretores compunham o Conselho de Administração, e não à ocorrência de desvios ou malfeitos. "Essa corrupção que está aí começou bem datadamente no governo Lula."

O ex-presidente também foi questionado se conhecia o empreiteiro Marcelo Odebrecht, preso pela Operação Lava Jato. FHC disse que sim. Ao comentar o que achava da prisão do empresário, disse que a medida "se justifica, mas tem limite". "Não pode se transformar prisão preventiva em instrumento de prisão permanente."

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