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Política

Fernando Henrique Cardoso

FHC defende investigação da Lava Jato 'doa a quem doer'

'Não sei o grau de extensão do que está aparecendo, se alcança ou não a campanha da presidente Dilma. Se alcançar, vai ter consequência, não tem jeito', diz ex-presidente sobre a mais recente etapa da operação que mirou no marqueteiro João Santana

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Ana Fernandes e Pedro Venceslau,
O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2016 | 23h51

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou na noite desta segunda-feira, 22, que é preciso ser "prudente" com as denúncias da Lava Jato envolvendo o marqueteiro João Santana, mas que, se de fato se comprovar ligação de dinheiro desviado da Petrobras com a campanha de reeleição de Dilma Rousseff, haverá consequências, "doa a quem doer". "Não sei o grau de extensão do que está aparecendo, se alcança ou não a campanha da presidente Dilma. Se alcançar, (vai ter consequência), doa a quem doer, não tem jeito."

A operação Acarajé, 23.ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda, decretou prisão de João Santana e de sua mulher, Mônica Moura. A Polícia Federal suspeita que o casal recebeu recursos desviados da Petrobras por meio da offshore aberta no Panamá, a Shellbill Finance SA. A força-tarefa da Lava Jato encontrou evidências de que entre 25 de setembro de 2013 e 4 de novembro de 2014 o operador de propinas Zwi Skornicki - preso na Acarajé - efetuou a transferência no exterior de pelo menos US$ 4,5 milhões por meio de nove transações.

Em outra frente, a força-tarefa também rastreou pagamentos de offshores ligadas à Odebrecht para a Shellbill que totalizaram US$ 3 milhões entre 2012 e 2013. A conta no exterior, do casal, segundo o Ministério Público Federal, não foi declarada à Receita brasileira. Santana foi responsável pela campanha de Lula em 2006 e pelas duas campanhas de Dilma, em 2010 e 2014.

FHC afirmou nesta noite que é "claro" que as denúncias envolvendo o marqueteiro reforçam a tese do PSDB, que tenta cassar o mandato de Dilma no TSE por abuso de poder político e econômico na eleição. "Se aparecer alguma coisa que estão dizendo, claro (que reforça a tese). Agora, não sei, sou prudente, nunca avanço o sinal quando as pessoas estão sendo acusadas, vamos ver o que tem", ponderou.

"O que já apareceu é suficiente pra nós todos sabermos que desse jeito não dá. É preciso mudar essa situação, o País precisa ter lideranças." O ex-presidente disse também ser "possível" que "até" a tese do impeachment se reaqueça.

O tucano disse também que a Lava Jato aponta para um cenário grave no País e que é preciso união nacional para tirar o Brasil da crise. "Muitos estão na Lava Jato, é grave, não podemos tapar o sol com a peneira. Precisamos reconstruir o Brasil. Ninguém sai do atoleiro sozinho, vai ter que ter uma força nacional capaz de reconstruir o País."

FHC participou de evento de apoio ao vereador Andrea Matarazzo, que disputa prévias do PSDB para ser o candidato a prefeito do partido nas eleições municipais deste ano. No palco, o ex-presidente disse que a eleição paulistana prepara o PSDB para "uma mudança muito maior", em referência à disputa presidencial para suceder Dilma Rousseff. "Quase tudo o que construímos está sendo destruído por incompetência ou corrupção. Mas o Brasil é forte e vai sair das corda", disse em crítica às gestões petistas de Lula e Dilma.

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