1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

FHC defende investigação da Lava Jato 'doa a quem doer'

- Atualizado: 23 Fevereiro 2016 | 08h 33

'Não sei o grau de extensão do que está aparecendo, se alcança ou não a campanha da presidente Dilma. Se alcançar, vai ter consequência, não tem jeito', diz ex-presidente sobre a mais recente etapa da operação que mirou no marqueteiro João Santana

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou na noite desta segunda-feira, 22, que é preciso ser "prudente" com as denúncias da Lava Jato envolvendo o marqueteiro João Santana, mas que, se de fato se comprovar ligação de dinheiro desviado da Petrobras com a campanha de reeleição de Dilma Rousseff, haverá consequências, "doa a quem doer". "Não sei o grau de extensão do que está aparecendo, se alcança ou não a campanha da presidente Dilma. Se alcançar, (vai ter consequência), doa a quem doer, não tem jeito."

A operação Acarajé, 23.ª fase da Lava Jato, deflagrada nesta segunda, decretou prisão de João Santana e de sua mulher, Mônica Moura. A Polícia Federal suspeita que o casal recebeu recursos desviados da Petrobras por meio da offshore aberta no Panamá, a Shellbill Finance SA. A força-tarefa da Lava Jato encontrou evidências de que entre 25 de setembro de 2013 e 4 de novembro de 2014 o operador de propinas Zwi Skornicki - preso na Acarajé - efetuou a transferência no exterior de pelo menos US$ 4,5 milhões por meio de nove transações.

Em outra frente, a força-tarefa também rastreou pagamentos de offshores ligadas à Odebrecht para a Shellbill que totalizaram US$ 3 milhões entre 2012 e 2013. A conta no exterior, do casal, segundo o Ministério Público Federal, não foi declarada à Receita brasileira. Santana foi responsável pela campanha de Lula em 2006 e pelas duas campanhas de Dilma, em 2010 e 2014.

FHC afirmou nesta noite que é "claro" que as denúncias envolvendo o marqueteiro reforçam a tese do PSDB, que tenta cassar o mandato de Dilma no TSE por abuso de poder político e econômico na eleição. "Se aparecer alguma coisa que estão dizendo, claro (que reforça a tese). Agora, não sei, sou prudente, nunca avanço o sinal quando as pessoas estão sendo acusadas, vamos ver o que tem", ponderou.

"O que já apareceu é suficiente pra nós todos sabermos que desse jeito não dá. É preciso mudar essa situação, o País precisa ter lideranças." O ex-presidente disse também ser "possível" que "até" a tese do impeachment se reaqueça.

O tucano disse também que a Lava Jato aponta para um cenário grave no País e que é preciso união nacional para tirar o Brasil da crise. "Muitos estão na Lava Jato, é grave, não podemos tapar o sol com a peneira. Precisamos reconstruir o Brasil. Ninguém sai do atoleiro sozinho, vai ter que ter uma força nacional capaz de reconstruir o País."

FHC participou de evento de apoio ao vereador Andrea Matarazzo, que disputa prévias do PSDB para ser o candidato a prefeito do partido nas eleições municipais deste ano. No palco, o ex-presidente disse que a eleição paulistana prepara o PSDB para "uma mudança muito maior", em referência à disputa presidencial para suceder Dilma Rousseff. "Quase tudo o que construímos está sendo destruído por incompetência ou corrupção. Mas o Brasil é forte e vai sair das corda", disse em crítica às gestões petistas de Lula e Dilma.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em PolíticaX