Estadão - Portal do Estado de S. Paulo

Política » FHC critica uso de fundo para pagar advogados dos condenados no mensalão

Política

Política

FHC

FHC critica uso de fundo para pagar advogados dos condenados no mensalão

Tucano disse concordar com a avaliação do presidente do TSE, que considerou operação ilegal

0

ELIZABETH LOPES,
Agência Estado

13 Maio 2014 | 15h09

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse nesta terça-feira, 13, que concorda com a avaliação do presidente do Tribubal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, de que é ilegal o uso do Fundo Partidário para pagar os advogados de defesa dos condenados no julgamento do mensalão. 

“O presidente do TSE já disse que isso é completamente ilegal", afirmou. Segundo o tucano, não caberia a ele fazer uma avaliação mais aprofundada porque ele não é juiz.

FHC também afirmou que a população vive um clima de rancor no Brasil porque há um conjunto de fatores que torna a vida cotidiana mais difícil. Mesmo evitando responsabilizar um determinado governo, o ex-presidente tucano fez uma crítica à gestão da presidente Dilma Rousseff (PT), dizendo que "a inflação começa a mexer no bolso". Um dos motes da campanha presidencial tucana deste ano, capitaneada pelo senador mineiro Aécio Neves, é justamente mostrar que o governo FHC foi o responsável pelo controle da inflação e que este índice voltou a sair do controle na atual gestão petista.

Ao listar outros fatores que, no seu entender, estão tornando difícil a vida da população, FHC citou ainda a falta de soluções para a mobilidade urbana, com os problemas no trânsito. E disse que a insegurança e a falta de perspectivas também estão presentes e produzindo um fenômeno que, para ele, é desagradável e raro no Brasil: "A raiva".

Fernando Henrique exemplificou este sentimento com alguns atos de violência que vêm sendo registrados em todo o País. "É inacreditável o que aconteceu no Rio de Janeiro, de queimarem 400 ônibus na semana passada, não estou dizendo que não tenham razão (para protestar), mas é difícil aceitar isso como um procedimento cotidiano." O tucano falou também sobre o linchamento de uma mulher no Guarujá (SP), questionando o que está levando algumas pessoas a querer fazer justiça com as próprias mãos. "São muitos sentimentos desencontrados que estão produzindo o que resumo numa palavra: mal-estar. É o que está acontecendo no Brasil de hoje, um mal-estar", destacou.

Indagado se as eleições presidenciais deste ano seriam um bom mote para mudar esse cenário, ele respondeu: "Eu creio que sim, eu acho que é o momento porque pode haver um debate, desde que seja sério, verdadeiro e discuta estratégias, alternativas, e não simplesmente atacar um ao outro, se este ou aquele roubou. Eu sei que alguns roubaram e têm que ir pra cadeia, mas isso não pode ser o centro da questão".

As afirmações de FHC foram feitas em rápida entrevista coletiva, após evento comemorativo de dez anos de seu instituto, na capital paulista, com os ex-presidentes Felipe González, da Espanha, Ricardo Lagos, do Chile, Julio Sanguinetti, do Uruguai, e Jorge Castañeda, ex-ministro das Relações Exteriores do México.

Venezuela. Fernando Henrique afirmou também que está ocorrendo um ataque à democracia na América Latina, falando especificamente da Venezuela. "Na Venezuela, obviamente, está existindo um ataque à democracia." E ponderou que democracia não é só o voto. "(Democracia) é você não usar a máquina para fazer pressão e não ter abuso do poder econômico. São muitos fatores e precisa de melhor educação."

Ao falar sobre a Venezuela, FHC frisou que "é escandaloso que não haja uma reação maior ao que ocorre" naquele país. E disse que o desafio dos países da América Latina, inclusive na democracia, "é passar da quantidade para a qualidade, não é só ter voto, é ver o resultado deste voto, para que isso resulte em bons governos".

Mais conteúdo sobre: