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FHC diz que vai esperar manifestação de empresa

A jornalista Mirian Dutra disse que Brasif lhe pagou mesada no exterior

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Pedro Venceslau,
O Estado de S. Paulo

18 Fevereiro 2016 | 21h35

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) rebateu nesta quinta-feira, 18, por meio de nota, as acusações feitas pela jornalista Miriam Dutra, com quem teve uma relacionamento extraconjugal nos anos 1990. Ela disse ao jornal Folha de S.Paulo que um contrato fictício de trabalho com a empresa Brasif S.A foi usado para repassar uma mesada de US$ 3.000 mensais entre dezembro de 2002 e dezembro de 2006. 

Segundo ele, o contrato foi feito “há mais de 13 anos” com a Brasif S.A. Exportação e Importação. O tucano, no entanto, disse não ter condições de se manifestar sobre os detalhes até que a empresa preste esclarecimentos sobre o assunto.

“Desconheço detalhes da vida profissional de Mirian Dutra. Com referência a empresa citada no noticiário de hoje (quinta-feira), trata-se de um contrato feito há mais de 13 anos, sobre o qual não tenho condições de me manifestar enquanto a referida empresa não fizer os esclarecimentos que considerar necessários”, disse o ex-presidente.

Fernando Henrique afirmou que os recursos destinados à jornalista “provieram de rendas legítimas” do seu trabalho. “Depositadas em contas legais e declaradas ao IR, mantidas no Banco do Brasil em NY/ Miami ou no Novo Banco, Madri, quando não em bancos no Brasil.”

Segundo Mirian, que na ocasião era funcionária da TV Globo, o contrato previa que ela fizesse análise de mercado em lojas convencionais e de duty free. Mirian admitiu ao jornal, porém, que nunca esteve em uma loja para trabalhar. De acordo com ela, o contrato era um meio para receber dinheiro de FHC e ajudar a sustentar o filho dela, Tomás Dutra.

DNA. Em sua nota, o ex-presidente também diz que sempre ajudou Tomás, apesar dos testes de DNA não terem reconhecido sua paternidade. “Sempre me dispus a fazer qualquer outro teste que os interessados julgassem conveniente. A despeito disso, procurei manter as mesmas relações afetivas e materiais com o Tomás.”

O ex-presidente também relata que continuou a pagar a matrícula e sustento de Tomás em uma “prestigiada universidade americana”. “Da mesma forma, doei mais recentemente um apartamento a ele em Barcelona, bem como alguns recursos para fazer os estudos de mestrado e, quando possível, atendo-o nas necessidades afetivas”. Ao jornal, o ex-presidente havia negado ter enviado dinheiro para Mirian Dutra por meio da empresa.

Procurada pelo Estado, a empresa Brasif não se manifestou.

Por meio de nota, a TV Globo informou que “jamais foi avisada” pela jornalista de supostos contratos fictícios que a profissional teria firmado com Brasif.

Contrato. Mirian afirmou ainda na entrevista que começou a receber a ajuda financeira em 2002, quando seu contrato com a TV Globo foi alterado e sua remuneração diminuída. 

A emissora disse no comunicado que revisou o contrato da “remuneradora” em 2004, não em 2002, “tudo segundo a lei vigente no país em que trabalhava (Espanha)”.

A jornalista havia tratado da relação com FHC também em entrevista à edição deste mês da revista BrazilcomZ, publicada na Espanha.

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