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Festa explicita divisão entre Dilma e PT

- Atualizado: 26 Fevereiro 2016 | 06h 17

Presidente não confirma presença nas comemorações dos 36 anos do partido no momento em que sigla prepara discurso combativo contra governo

Em conflito com o Palácio do Planalto, a cúpula petista vai lançar um Programa Nacional de Emergência para pressionar a presidente Dilma Rousseff a mudar a política econômica do governo neste momento em que o PT comemora seus 36 anos de vida.

A possível ausência da presidente na festa de aniversário do PT e o apoio do governo ao projeto de lei que retira da Petrobrás a exclusividade para operar a exploração do pré-sal se tornaram alvo de críticas abertas da direção partidária, que já reclamava das altas taxas de juros, cortes orçamentários e da proposta de reforma da Previdência.

Informada de que a ofensiva do PT contra o governo será ampliada na reunião de hoje do Diretório Nacional petista, no Rio, Dilma disse a ministros que cancelaria sua participação na festa dos 36 anos do partido. A comemoração está marcada para amanhã e o partido fará um desagravo a Lula.

“Eu não faria questão da presença dela (Dilma), mas falo em meu nome, não do partido”, afirmou o prefeito de Maricá e presidente do PT fluminense, Washington Quaquá.

A versão oficial, até ontem, era a de que a presidente não chegaria a tempo de participar do ato político no Rio porque tem uma agenda apertada no Chile, onde vai se encontrar com a presidente Michelle Bachelet. Nos bastidores, porém, integrantes do governo admitiam até a possibilidade de vaias a Dilma caso ela decida comparecer à festa do PT.

Pré-sal. A insatisfação do partido com o governo foi agravada com a aprovação, na noite de anteontem, do projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que desobriga a Petrobrás de ser operadora única e ter participação mínima de 30% na exploração da camada do pré-sal. Pouco antes da votação, o governo negociou com o relator do projeto, Romero Jucá (PMDB-RR), que a Petrobrás tenha pelo menos o direito de preferência em futuras licitações.

“Para nós foi uma surpresa”, disse o novo líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE). “A intenção do governo foi boa, mas houve um desentendimento porque a proposta chegou em cima da hora, num momento radicalizado.” Questionado se esse fato azedou ainda mais a relação entre o Planalto e o PT, Costa abriu um sorriso. “É ruim, mas superável. Um não vai poder viver sem o outro”, desconversou.

Em resposta, a chapa majoritária da sigla, Partido que Muda o Brasil, vai lançar uma campanha nacional contra a medida.

O presidente do PT, Rui Falcão, divulgou uma nota na qual classifica o projeto como “ataque à soberania nacional”.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também afirmou que o governo “rompeu a frágil relação que tinha com o movimento social e sindical”. “Esse projeto nos coloca em guerra contra o governo. E não adianta mais fazer reunião”, disse Raimundo Bonfim, integrante da Frente Brasil Popular, responsável pelas manifestações em defesa do mandato da presidente.

Mira. Lula vai aproveitar a data para dar a senha da reação à crise política, incentivando uma estratégia de ataque frontal ao PSDB. “Podem me revirar porque o meu telhado não é de vidro como o deles”, declarou o ex-presidente em conversa com parlamentares e dirigentes do PT, na semana passada.

A prisão do marqueteiro João Santana, que trabalhou nas campanhas de Dilma e Lula, também ressuscitou no PT o fogo “amigo” contra o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que é filiado ao partido. Em uma rede social o secretário nacional de Organização do PT, disse que “falta nomear um ministro da Justiça” para por fim aos desmandos da Lava Jato.

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