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'Faxinado' se lança ao Senado para ajudar Dilma no Rio

Apesar de PDT estar com Pezão, Carlos Lupi diz que será candidato independente a fim de ser um contraponto ao movimento pró-Aécio

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LUCIANA NUNES LEAL,
O Estado de S. Paulo

24 Junho 2014 | 16h29

Atualizado às 22h - Rio - Em mais um lance do jogo de acordos inusitados e alianças de última hora que vêm caracterizando a pré-campanha no Rio – já classificada no meio político como “bacanal” –, o ex-ministro do Trabalho e presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, anunciou ontem que vai concorrer ao Senado no Estado com o objetivo de apoiar a presidente Dilma Rousseff.

 

O PDT de Lupi está na chapa do candidato do PMDB ao governo fluminense, Luiz Fernando Pezão. O ex-ministro diz que pretende ter uma candidatura independente e ser um contraponto ao ex-prefeito Cesar Maia (DEM), que será o candidato oficial da chapa de Pezão ao Senado.

 

Lupi diz ter feito uma consulta ao Tribunal Superior Eleitoral, em 2010, sobre a possibilidade de um partido lançar candidato ao Senado diferente da coligação da qual faz parte. Segundo ele, não há impedimento para isso.

A aliança peemedebista no Rio inclui, além de PDT e DEM, outros 15 partidos, entre eles o PSDB, o que reforça o movimento “Aezão”, que prega o voto em Pezão para o governo e em Aécio Neves para o Palácio do Planalto.

 

A aproximação do PMDB fluminense com partidos que fazem oposição a Dilma se deu após os petistas manterem a candidatura de Lindbergh Farias ao governo, rompendo o acordo local que reelegeu Sérgio Cabral em 2010. O acordo do DEM e do PSDB com Pezão acabou isolando Dilma na chapa de Pezão. Por essa razão, Lupi decidiu agir.

Indefinido. A assessoria de imprensa do TSE foi questionada na terça-feira, 24, sobre as intenções de Lupi e informou que há consultas recentes a respeito do tema, “mas ainda não há decisão sobre se uma candidatura independente ao Senado, nestas circunstâncias, é possível”.

 

“Não há hipótese de apoiarmos Cesar Maia para o Senado. A saída que encontrei é me lançar candidato. Vamos manter uma linha de coerência, com candidatura própria ao Senado e apoio a Pezão e à presidente Dilma Rousseff”, disse Lupi. “O problema não é nem o espaço para o Aécio na coligação, mas o fato de que Cesar Maia é, assumidamente, a cara da direita no Rio”, completou o presidente do PDT, que indicou o deputado Felipe Peixoto para a vaga de vice de Pezão.

 

‘Te amo’. Ex-ministro do Trabalho de Dilma, Lupi deixou o cargo em dezembro de 2011 em meio à “faxina” da presidente e a uma série de denúncias de irregularidades em convênios com ONGs. Duas semanas antes, o então ministro disse que só sairia “abatido a bala” e, em seguida, pediu desculpas a Dilma com outro exagero. “Dilma, eu te amo”, disse o pedetista num evento oficial.

 

O presidente pedetista chegou a negociar aliança com o candidato local do PT, mas fechou com Pezão quando obteve a garantia de que poderia indicar o candidato a vice na chapa.

  Embora a convenção do PDT do Rio já tenha sido realizada, foi deixada brecha para que a executiva estadual aprove mudanças, em caso de alteração no cenário das coligações. A executiva tem até 30 de junho para aprovar a candidatura de Lupi ao Senado.

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