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Famílias cobram investigação sobre possíveis falhas técnicas

Advogado de parentes do piloto e do copiloto diz quevai apresentar relatórioparalelo; família de Campos cobra mais apuração

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BRASÍLIA,
O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2016 | 23h57

A apresentação ontem do relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) mostrando uma série de falhas cometidas pelo piloto e pelo copiloto desde antes do início do voo, no Rio de Janeiro, revoltou os familiares das vítimas. Em agosto de 2014, o jato que levava o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e mais seis pessoas caiu em Santos, no litoral paulista.

O advogado Josnei Oliveira, que representa a família do piloto Marcos Martins e do copiloto Geraldo Magela, disse que vai apresentar hoje um relatório paralelo, questionando, por exemplo, por que não foram feitas avaliações em simuladores sobre as causas do acidente. Oliveira sustenta a tese de falhas no equipamento.

Ele anunciou que as famílias pretendem entrar na Justiça norte-americana com uma ação contra a fabricante do avião, por considerá-la responsável pelos problemas enfrentados pelo piloto e copiloto. Oliveira criticou o fato de a Força Aérea Brasileira (FAB) ter “desclassificado” o copiloto e ter focado as investigações em falhas humanas.

Inquérito. A família do presidenciável do PSB, Eduardo Campos, em nota, destacou que existe um inquérito civil ainda em curso e afirmou que “o relatório do Cenipa foca a conduta dos pilotos e não aprofunda as condições e o projeto da aeronave, embora provocado para tanto”.

A família do ex-governador pernambucano declarou ainda que “o alegado cansaço e falhas do piloto relatados pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), no máximo, constituem culpa concorrente, precisando ser elucidada a possibilidade de erro de projeto”.

A mulher de Eduardo Campos, Renata, três filhos do casal e o irmão dele, Antonio, participaram da apresentação do relatório feita ontem pelo órgão da Aeronáutica em Brasília.

Simulador. De acordo com informações do Cenipa, o órgão não usou o simulador, apesar de ter tentado contatos com a empresa nos Estados Unidos. A justificativa, conforme o órgão da Aeronáutica, era que o aparelho não estava disponível, pois estava sendo usado justamente para a realização do relatório paralelo que os familiares das vítimas vão apresentar.

Mesmo assim, o Cenipa ressaltou que, durante todas as investigações sobre o acidente, não foram encontrados problemas que indicassem que havia falha mecânica nos equipamentos. Ao contrário, todos os dados apontavam que não houve este tipo de falha, informou o órgão. / T.M.

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