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Falta de água em SP será tema eleitoral, prevê Kassab

ELIZABETH LOPES E PEDRO VENCESLAU - Agência Estado

19 Março 2014 | 15h 21

Após confirmar que vai disputar a corrida ao governo do Estado de São Paulo nessas eleições, no 58º Congresso Nacional de Municípios, o ex-prefeito da capital paulista e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, disse nesta quarta-feira, 19 que o problema no abastecimento de água no Estado estará no topo do debate político, ao lado de temas como educação, saúde e segurança pública. "A sociedade e a população estão perplexas e identificando na questão da água um grande problema."

"Percebo, nas últimas semanas, que esse tema foi acrescido à pauta. E passou a ter o mesmo peso de outros temas prioritários no Estado, como a segurança. A água com relação ao abastecimento e a preocupação com o Sistema Cantareira, até porque as autoridades (governo paulista) afirmavam que o racionamento estava descartado e não é isso o que está acontecendo".

Em uma crítica indireta ao governador do Estado, o tucano Geraldo Alckmin, seu provável adversário nesse pleito, Kassab disse que, nos últimos dias, a questão da falta de água se tornou um dos assuntos mais preocupantes do Estado. "Ontem, o governador e a presidente Dilma Rousseff (PT) discutiram esse tema, o que mostra a preocupação e a intensidade do problema."

Na terça-feira, 18, Alckmin pediu ajuda ao governo federal para a construção de um novo canal de 15 km que interligará o Sistema Cantareira à Represa de Igaratá, no Vale do Paraíba, com o objetivo de tentar evitar o racionamento. Kassab diz que a situação chegou a tal ponto em função da falta de planejamento e da falta de transparência. Em conversas com participantes do evento, ele disse que o PSDB, nesses 20 anos de poder, já demonstra fadiga de material e tinha de ter resolvido essa questão do abastecimento de água há, pelo menos, dez anos.

De acordo com o ex-prefeito, o PSD está fazendo consultas com técnicos no setor e fará um seminário, em breve, para avaliar a situação da água. "O que posso adiantar é que não tínhamos informações, pois se falava que não haveria risco de racionamento, e torcemos para que não tenha. Mas o Sistema Cantareira teve seu índice reduzido abaixo de 15% e é muito preocupante."

Pré-candidatura

Após palestra que proferiu no evento em Campos do Jordão, para uma plateia composta, em sua maioria, por prefeitos e vereadores do Estado de São Paulo, Kassab explicou a razão de ter lançado sua pré-candidatura. "É um ato de respeito aos munícipes, nada mais adequado do que anunciar num congresso de municípios, uma entidade que já presidi, numa manifestação de vontade de parceria num eventual futuro governo."

Segundo o ex-prefeito, a reafirmação de sua pré-candidatura foi feita também porque as consultas que têm sido feitas junto aos diretórios municipais do PSD estão em fase final, o que permite afirmar que o resultado é a indicação do seu nome. "Por isso já me considero um pré-candidato."

Pedágio

Kassab fez algumas promessas aos munícipes, dizendo, por exemplo, que se for eleito em outubro seu primeiro ato será definir um volume adicional mais expressivo para a área da saúde. Ele disse também que irá investir em segurança pública e que pretende abrir as planilhas de pedágio que são cobradas no Estado. "Sou um legalista, todos os empreendedores sabem, foi assim quando fui prefeito, um administrador duro, mas sempre dizendo a verdade. É fundamental que haja transparência para avaliar os custos."

Kassab negou que pretenda fazer uma aliança, no primeiro turno, com o peemedebista Paulo Skaf, virtual candidato do PMDB ao governo de São Paulo, integrando uma chapa majoritária para a disputa ao Senado Federal. "Minha relação com ele é a melhor possível, torço para que ele saia candidato e faça uma boa campanha, assim como torço que meu partido faça uma boa campanha e que possamos todos juntos, depois da eleição, com o vencedor, fazer o melhor governo em São Paulo."