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Fabiano Silveira pede demissão do ministério da Transparência

Em áudios divulgados pelo 'Fantástico', ministro critica a Operação Lava Jato em conversa com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2016 | 19h46

BRASÍLIA - O ministro da Transparência, Fabiano Silveira, pediu demissão do cargo nesta segunda-feira, 30. Silveira enviou a carta de demissão e telefonou para o presidente em exercício Michel Temer para oficializar o seu pedido para deixar do cargo. Temer, que até então vinha afirmando que o manteria na pasta, acatou o pedido. Na carta, ele diz ter sido alvo de 'especulações insólitas'.

Temer havia telefonado mais cedo para Silveira para dizer que o manteria no cargo. No entanto, a pressão de centenas de servidores que anunciaram que deixariam o cargo se ele permanecesse foi mais forte e pesou na decisão do ministro.

Silveira teve áudios de conversas com ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado divulgados no domingo, 29 pelo Fantástico, da TV Globo. Nas conversas, ocorridas há cerca de três meses, quando Silveira ainda era do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ele aconselha Machado e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre como deveriam agir em relação às investigações da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Nesta segunda-feira, Silveira se reuniu com o presidente em exercício no Palácio do Jaburu para se explicar.

Para interlocutores que defendiam a manutenção de Silveira no governo os áudios divulgados "não são comprometedores". A permanência de Silveira também agradaria o presidente do Senado, Renan Calheiros, que também foi flagrado nas conversas. A avaliação é que a queda de Silveira poderia enfraquecer diretamente Renan.

No início da noite, Renan divulgou nota rechaçando sua influência no governo em exercício. “Em face das especulações, reitero de maneira pública e oficial que não irei indicar, sugerir, endossar, recomendar e nem mesmo opinar sobre a escolha de autoridades no governo do Presidente Michel Temer”, afirmou.

'Por enquanto'. À tarde, após reunião com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, Temer havia decidido manter o ministro no cargo "por enquanto", mas tinha deixado a ressalva de que poderia vir “uma segunda ordem". Desde cedo, interlocutores reconheciam que começar novamente uma semana “apagando incêndio” gerava um desgaste para Temer. "O assunto dominante é esse, vamos de novo começar a semana no improviso", disse um assessor palaciano.

A queda de Silveira acontece uma semana após a saída de Romero Jucá do ministério do Planejamento. O ministro também flagrado em áudios com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Segundo interlocutores, Temer havia decidido até o momento tentar não ceder à pressão para evitar um efeito cascata: “a cada crítica ou denúncia, uma queda”.

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