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Explicações de Dilma sobre Petrobrás são 'pouco convincentes', diz Aécio

Dida Sampaio e Ricardo Brito - O Estado de S. Paulo

19 Março 2014 | 14h 29

Senador mineiro, provável candidato do PSDB à Presidência, pretende fazer um pronunciamento no plenário do Senado anunciando medidas a serem tomadas pela oposição sobre o assunto

Brasília - O provável candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves, afirmou na manhã desta quarta-feira, 19, que as explicações dadas pela presidente Dilma Rousseff para a operação de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006, "são pouco convincentes" e que é preciso "investigar a fundo" o negócio. Reportagem do Estado revelou que Dilma votou a favor da transação com base em um resumo feito pelo ex-diretor internacional da Petrobrás Nestor Cerveró.

A refinaria foi comprada em duas etapas. Já era considerada obsoleta quando o conselho presidido por Dilma avalizou a compra, há oito anos. Mais tarde, após uma disputa judicial, a Petrobrás se viu "obrigada" a comprar a outra metade da refinaria, o que custou ao final US$ 1,2 bilhão. Em nota, Dilma justificou que baseou sua decisão em um resumo que ela classifica de "falho" e "omisso". Na ocasião, a presidente era ministra da Casa Civil e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás.

"As explicações são pouco convincentes e é preciso que essa questão seja investigada a fundo", disse o tucano, que classificou o caso de "extremamente grave". Ele afirmou que vai fazer na tarde desta quarta um pronunciamento da tribuna do Senado com medidas a serem tomadas pela oposição. Para Aécio, a revelação mostra a "irresponsabilidade" das decisões da Petrobrás, que, segundo ele, perdeu mais da metade do seu valor patrimonial nos últimos anos. Ele disse que a questão é "ainda mais grave" por envolver Dilma.

O líder do PSDB no Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP), afirmou na tarde desta quarta que a revelação do voto de Dilma é mais um elemento que desconstrói a imagem de "grande gerente" da presidente. Ele lembrou que o partido já apresentou representações para que o Ministério Público investigasse a operação.

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), saiu em defesa de Dilma ao dizer que não há, até o momento, uma "conclusão" de que a venda da refinaria tenha sido lesiva para a estatal. "Não há uma conclusão de que tenha sido um ato lesivo à Petrobrás", afirmou. "Não há nenhum tipo de comprovação de que tenha algum tipo de irregularidade".

O petista disse não haver qualquer possibilidade de a presidente ter conhecimento de uma suposta irregularidade na operação. "A presidenta Dilma, não há hipótese de ela ter coonestado com qualquer coisa de irregularidade, se houver irregularidade", frisou. Ele disse que a base não vai se opor a uma eventual vinda de dirigentes da estatal para explicar a operação. "Se for preciso vir alguém, quem quer que seja, não será problema algum", disse, ao lembrar que no ano passado o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli foi ao Senado explicar a operação.

Para o líder do PT, a oposição, sem "outra bandeira" para fazer o debate com o governo, elegeu o sistema elétrico e as questões relativas à Petrobrás para fustigar o Executivo. A senadora e ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR) concordou com o colega de bancada. "Lamento que a oposição queira se utilizar desses expedientes para desgastar a presidenta. Na realidade está fazendo entregas importantes ao povo brasileiro e ela vai ser avaliada a respeito disso, como boa gestora", afirmou.