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Executiva vai levar caso André Vargas à Comissão de Ética do PT

Atualizado em 11.04 - Fernando Gallo e Ricardo Galhardo

10 Abril 2014 | 14h 58

Direção do partido inicia processo que pode acabar em expulsão de deputado licenciado, suspeito de manter negócios escusos com doleiro Alberto Youssef

São Paulo - A Executiva Nacional do PT decidiu nesta quinta-feira, 10, enviar o caso do deputado licenciado André Vargas (PT-PR) para a Comissão de Ética do partido, num processo que pode acabar com sua expulsão. Antes, Vargas será ouvido por uma comissão de três integrantes da direção. Ele terá de se explicar sobre sua relação com o doleiro Alberto Youssef, preso pela Polícia Federal durante a Operação Lava Jato. A oitiva será realizada hoje em São Paulo.

Além de admitir que voou em um jatinho emprestado por Youssef para uma viagem de férias com a família na Paraíba, Vargas é suspeito de ajudar um laboratório cuja propriedade a PF atribui ao doleiro a assinar uma parceria com o Ministério da Saúde para fornecimento de medicamentos. O petista também admitiu que um irmão dele prestou serviços de informática a Youssef. Vargas cobrou o doleiro a respeito do pagamento em mensagem de celular.

Por causa desses revelações, Vargas pediu licença de 60 dias do mandato de deputado e renunciou ontem ao cargo de vice-presidente da Câmara, após o Conselho de Ética da Casa ter aberto processo disciplinar para apurar sua conduta. O conselho pode recomendar a cassação de seu mandato, que teria de ser votada em plenário.

"São fatos noticiados que por si só não incriminam ninguém", afirmou ontem o presidente do PT, Rui Falcão.

A decisão de ouvir Vargas antes de enviar o caso para a Comissão de Ética faz parte de um acordo costurado momentos antes do início da reunião. A corrente Mensagem ao Partido, da qual fazem parte, entre outros, o ministro José Eduardo Cardozo e o deputado Paulo Teixeira (SP), defendia a abertura imediata da Comissão de Ética e aplicação sumária de suspensão de 60 dias das atividades partidárias de Vargas.

O grupo ligado a Rui Falcão, ligado às correntes Novo Rumo e Construindo um Novo Brasil, também pedia a abertura imediata da Comissão de Ética.

Por outro lado, representantes da bancada do PT na Câmara, como o deputado José Guimarães (CE), defendiam a posição de Vargas que pretendia apenas ser ouvido pelo partido, sem ser objeto da Comissão de Ética.

Costurou-se o acordo por meio do qual Vargas será ouvido antes da comissão de ética para evitar que as três propostas fossem levadas a voto.

Em informe divulgado ao final da reunião, a Executiva anotou a decisão: "previamente à instalação da comissão de ética, a Executiva decide ouvir o companheiro André Vargas a respeito dos fatos noticiados".

Indagado se a palavra "previamente" significava que a provocação da comissão de ética dependia do depoimento de Vargas, Rui Falcão lembrou aos repórteres que a palavra "a" levava uma crase, o que significa que a decisão de invocar a comissão já fora tomada.

A decisão de ouvir Vargas é uma deferência ao deputado, que pediu ao PT para ser ouvido antes de qualquer providência contra ele - a oitiva será tomada hoje por Florisvaldo Souza, Alberto Cantalice e Carlos Árabe, todos membros da Executiva.

Comissão. A Comissão de Ética do PT foi responsável por recomendar ao Diretório Nacional a expulsão do ex-tesoureiro Delúbio Soares, em 2005, e de congressistas que votaram contra orientação do PT na reforma da previdência, em 2003, entre eles a ex-senadora Heloísa Helena. A expulsão de Delúbio foi decidida em 3 meses e meio.

Petrobrás. O PT também divulgou ontem uma "resolução em defesa da Petrobrás", na qual afirma que a "ofensiva da oposição, que se voltou contra o sistema de partilha e contra o pré-sal, tem um único objetivo: fazer prevalecer interesses privados numa empresa que é patrimônio do povo brasileiro".