Ex-presidente Lula mantém tendência de alta em aprovação

'Barômetro Político Estadão-Ipsos' de dezembro continua a registrar alta na aprovação do petista, que atinge agora 45%

Danilo Cersosimo*, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2017 | 17h00

O Barômetro Político Estadão-Ipsos de dezembro continua a registrar tendência de alta na aprovação do ex-presidente Lula, que atinge agora 45% (era de 24% há exatamente um ano). Sua desaprovação, que era de 72% em dezembro do ano passado, está agora em 54%.

Se por um lado sua reprovação ainda é alta, por outro é inegável que o corpo-a-corpo pelo Brasil vem trazendo bons resultados, seja na redução deste indicador, seja na conversão de aprovação em votos – estão aí as pesquisas eleitorais comprovando tal cenário captado por este monitoramento há alguns meses.

Que o ex-presidente Lula sempre teve alta popularidade entre as camadas mais pobres não é novidade. Ainda que tenha oscilado em aprovação nas classes DE nos últimos meses, sua imagem sempre se manteve muito positiva. No que tange às classes AB, sua aprovação que era de 14% em junho deste ano, está agora em 35%. No mesmo período, saltou de 28% para 45% na classe C. Ainda há mais rejeição do que aceitação à Lula nestes segmentos, mas não deixa de ser relevante que a distância entre esses indicadores tenha sido reduzida ao longo do último ano.

Sua popularidade nas áreas Norte e Nordeste se mantém em alta, especialmente nesta última, com 73% de aprovação (era de 53% em julho). Houve significativo crescimento de aprovação tanto na região Sul quanto no Sudeste, que atingiram respectivamente 30% e 39%, configurando uma melhora expressiva nos últimos meses, ainda que com algumas oscilações.

Entre níveis de escolaridade também houve mudanças significativas. Em abril, a aprovação do ex-presidente Lula entre aqueles sem instrução era de 54% e entre as pessoas com ensino superior era de 26%. Em dezembro, esses indicadores são de 53% e 42%, respectivamente. Sua aprovação subiu em todos os níveis de escolaridade, mas continua menor que a desaprovação em quase todos os estratos.

Essa melhora em aprovação se dá num contexto no qual o atual governo tem 87% de avaliação ruim ou péssima, o desemprego continua sendo o pior problema do País segundo os brasileiros e os escândalos de corrupção continuam presentes. Além disso, a pauta das reformas é vista com insegurança (porque distante e, portanto, incompreendida), além do receio de perda de direitos.

Lula tem a seu favor a lembrança de uma era de crescimento econômico e melhorias no campo social – e vem daí boa parte da sua aprovação. As acusações que pesam contra si passam a ser relativizadas em um país onde a classe política faz todos os esforços para pouco se diferenciar em relação as suas condutas.

O julgamento no TRF-4 em janeiro vai impactar sua imagem: se for condenado, sua popularidade pode ser abalada, ao menos parcialmente. Se uma improvável absolvição ocorrer, a tendência é que sua aprovação continue a crescer paulatinamente. Mas não será somente a imagem de Lula que sofrerá impactos após o julgamento.

O Barômetro Político Estadão-Ipsos traz em dezembro um dado que parecia improvável há um ano: o juiz Sérgio Moro pela primeira vez apresenta mais desaprovação (53%) do que aprovação (40%). Essa tendência já havia sido apontada em agosto e se explica pela percepção que a opinião pública tem de que a Lava Jato está perdendo força, bem como pelo enfraquecimento da imagem da Justiça e suas instituições, abalando a confiança no sistema.

Tal fenômeno não impacta somente a popularidade de Sérgio Moro: todos os nomes associados ao sistema judiciário, incluindo o do ex-ministro do STF Joaquim Barbosa, apresentaram pioras em seus índices de aprovação. Gilmar Mendes continua com sua desaprovação subindo, atingindo 85% (próximo ao patamar de políticos como Eduardo Cunha, Aécio Neves e Renan Calheiros).

A popularidade dos nomes do PSDB também não chega a entusiasmar, ao menos nesse momento. Geraldo Alckmin viu novamente sua desaprovação subir – de 67% para 72% – e sua aprovação retroagir de 24% para 19%, cessando momentaneamente uma pequena tendência de alta que parecia se configurar.

Jair Bolsonaro continua navegando nos mesmos patamares de aprovação e desaprovação desde agosto. Parece ter atingido seu teto de popularidade, mas ainda é cedo para fazer essa avaliação dado que seu potencial de crescimento não está claro através de eventuais simpatizantes enrustidos.

Marina Silva, que vinha de três meses de alta em aprovação – entre agosto e outubro – agora parece estar em tendência de queda, com 28% de aprovação e 62% de desaprovação – um desgaste perigoso para uma candidata que outrora detinha 22 milhões de votos.

Num eventual cenário com Lula fora da corrida eleitoral, muita coisa pode mudar. Seus possíveis herdeiros no PT – Jacques Wagner e Fernando Haddad – ainda não tem capital de imagem para levar o partido de volta ao poder.

*Danilo Cersosimo é sociólogo pela Universidade de São Paulo e mestre em Estudos Urbanos pela University College London (UCL). Atua há mais de 20 anos em pesquisa social e opinião pública.

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