Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Ex-presidente do TCE diz que mesada foi tratada na casa de Jorge Picciani

Jonas Lopes de Carvalho afirma à Justiça que foi chamado para encontro pelo presidente da Alerj, atualmente preso

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 14h35

RIO - Ex-presidente do Tribunal de Contas Estado do Rio (TCE) Jonas Lopes de Carvalho Júnior declarou à Justiça que uma mesada dos empresários de ônibus para os conselheiros do órgão foi acertada na casa do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj),  Jorge Picciani, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, "com vista para o mar". O suposto encontro teria ocorrido depois que o TCE fez uma devassa nas contas do Bilhete Único que atingiu empresas ligadas à Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Rio  (Fetranspor).  Lopes prestou depoimento nesta quarta-feira, 21, durante audiência da Lava Jato do Rio, na 7.ª Vara Federal Criminal.

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De acordo com Lopes, ele teria sido chamado por Picciani, atualmente preso na Cadeia Pública José Frederico Marques,  para o encontro depois que o TCE detectou R$ 90 milhões em créditos expirados do Bilhete Único. Na reunião, também estaria José Carlos Lavouras, ex-conselheiro da  Fetranspor, que teria oferecido R$ 70 mil de "mesada" para seis conselheiros do tribunal. 

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"Ele ofereceu o pagamento desse valor para que o tribunal tivesse boa-vontade com o setor de transportes. Esses pagamentos foram feitos através do meu filho (Jonas Lopes de Carvalho Neto)", disse, em depoimento.

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Os depoimentos de Lopes e do filho foram prestados no âmbito da operação Ponto Final do Ministério Público Federal (MPF). A investigação apontou cerca R$ 500 milhões desviados do setor de transportes do Estado. O conselheiro e seu filho fecharam acordo de delação  premiada. 

CABRAL

Em seu depoimento, o ex-presidente do tribunal disse que encontrou "diversas irregularidades" no setor de transportes. Contou ainda que chegou a avisar previamente o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (MDB), atualmente preso em Curitiba, da auditoria que faria. 

"Informei porque sabia, vamos dizer assim, de sua amizade, ou melhor dizendo, do seu (de Cabral) relacionamento forte, com os empresários do setor de transportes", disse.

Após o "aviso", Lopes disse que Cabral lhe pediu que a auditoria só fosse feita depois das eleições de 2014. O pedido foi parcialmente atendido. O trabalho só foi realizado após o primeiro turno, segundo contou o delator.

A audiência desta quarta estava marcada para as 10h, mas só começou às 10h50, depois que o juiz Marcelo Bretas desistiu de esperar algum  representante da defesa do ex-governador. Procurado por telefone pela reportagem durante a audiência, o advogado de Cabral, Rodrigo Roca, disse ao Estado que não sabia de qual operação se tratava e que não havia sido intimado. Ele ainda não se pronunciou sobre a acusação contra o ex-governador.

Procuradas, as defesas de Jorge Picciani, de José Carlos Lavouras e da Fetranspor não responderam à reportagem.

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