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Ex-líder do governo agiu para evitar depoimento de Léo Pinheiro em CPI

‘Articulei com os líderes da base o esvaziamento da reunião’, diz Arlindo Chinaglia (PT-SP) em mensagem obtida pela Operação Lava Jato

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Beatriz Bulla e Daniel Carvalho,
O Estado de S. Paulo

15 Janeiro 2016 | 03h00

BRASÍLIA - Mensagens obtidas pelos investigadores da Operação Lava Jato com a apreensão do celular do ex-presidente da OAS José Adelmário Pinheiro Filho, o Léo Pinheiro, mostram que o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) trocou informações com o empreiteiro sobre a possível convocação do executivo em uma CPI em curso na Câmara dos Deputados.

Em outubro de 2013, Léo Pinheiro chegou a ser convocado para depor em uma comissão parlamentar de inquérito na Câmara sobre suposto tráfico humano em obras da empreiteira OAS no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Em 29 de outubro de 2013, o ex-presidente da OAS encaminhou para um número não identificado pelos investigadores da força-tarefa da Lava Jato mensagem atribuída a Chinaglia em que o deputado petista diz: “Articulei publicamente com os líderes da base o esvaziamento da reunião que deve acontecer. Se der quorum, não vota hoje ou derrotaremos. Liguei pro Luiz Couto, do PT, e ele me atendeu. (Cândido) Vaccarezza está firme em campo. Vai dar certo”.

Em novembro de 2013, poucos dias antes do requerimento sobre Léo Pinheiro ser retirado de pauta pelo autor da proposta, Chinaglia enviou uma mensagem a número também não identificado pelos investigadores: “Amanhã haverá reunião e votação de requerimentos que estamos acompanhando. O que convoca/convida o presidente da emp não esta pautado. Estaremos marcando. Abs.”.

‘Pesquisa’. Procurado pelo Estado, Arlindo Chinaglia confirmou que conheceu Léo Pinheiro em um evento social na Bahia. Ele afirmou que, em uma das conversas, de fato, respondeu a uma preocupação de o então presidente da empresa OAS (Léo Pinheiro) estar sendo chamado à CPI e disse que, na condição de líder do governo na Câmara dos Deputados, pesquisou se havia a convocação do ex-executivo da empreiteira.

O petista Arlindo Chinaglia não é investigado no âmbito da Operação Lava Jato. 

2014. As conversas com Léo Pinheiro se estenderam durante 2014, ano em que ocorreram as eleições presidenciais e a escolha de governador, de acordo com os investigadores da força-tarefa da Lava Jato.

“Novas regras de compliance para as empresas públicas. Acabar com cargos em Comissão. Prestigiar os Concursados. Planos de Cargos e Salários para o Funcionalismo Publico. Critérios objetivos para promoções. Saude, Educação e Segurança com adicionais para os que atuam em Áreas de Risco. Acho que por ai. Abs”, teria escrito Léo Pinheiro para Arlindo Chinaglia em 19 de outubro de 2014. “Leo para presidente. É isso! Vou falar com os universitários. abs.”, respondeu o deputado.

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