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Ex-diretor da Petrobrás preso pela PF é transferido para Curitiba

Thaise Constancio e Julio Cesar Lima, especial para O Estado - O Estado de S. Paulo

12 Junho 2014 | 10h 32

Ordem de prisão contra Paulo Roberto Costa partiu da Justiça Federal do Estado, onde há investigações em curso sobre suspeitas de um esquema de lavagem de dinheiro

Atualizado às 15h07

RIO - O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, novamente preso pela Polícia Federal, foi transferido para Curitiba, nesta quinta-feira, 12. Ele deixou a carceragem da PF no Rio nesta manhã em direção à sede da polícia na capital paranaense. Costa foi preso na noite dessa quarta, em casa, por agentes da PF do Rio em cumprimento a uma ordem expedida pela 13ª Vara do Paraná. Ele foi transportado sem algemas em um voo comercial que parte do Aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio.

A Justiça Federal do Paraná deu a ordem para ele retornar à cadeia por ver risco de fuga para o exterior, após ser informada por autoridades suíças de que Costa teria US$ 23 milhões, bloqueados pela Justiça do país europeu. A determinação foi proposta pelo Juiz Federal Sérgio Moro. O advogado do ex-diretor, Cássio Norberto, disse que irá recorrer da decisão.

O ex-diretor havia sido preso em março durante a Operação Lava Jato, mas foi solto 59 dias depois. Nessa terça ele chegou a prestar depoimento à CPI da Petrobrás no Senado e negou as acusações contra ele.

Segundo o despacho de Moro, existem outras investigações em curso, paralelas às que desencadearam a Operação Lava Jato. "A prisão teve como motivos - além daqueles originários da prisão anteriormente decretada - o fato de ele ter ocultado da Justiça a existência de passaporte português e a descoberta de contas em bancos no exterior, com um montante de cerca de US$ 23 milhões em nome de offshore de sua responsabilidade. Além disso, também foram encontrados outros US$ 5 milhões em contas de familiares e terceiros. As informações foram obtidas por comunicação espontânea do Ministério Público da Suíça e, para o MPF, indicam a potencialidade de fuga de Costa para o exterior", justifica.

O Ministério Público da Suíça comunicou à Justiça brasileira a abertura de processo penal contra Costa naquele país. Lá, foram identificadas 12 contas ligadas ao ex-diretor em cinco instituições financeiras.

Esses ativos estão em nome de empresas offshore e seriam movimentados por familiares de Costa e por um funcionário do doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava Jato acusado de operar um esquema de lavagem de dinheiro. A Suíça bloqueou US$ 28 milhões, dos quais US$ 23 milhões seriam de Costa.

A investigação na Suíça foi aberta em 10 de abril, quando a Unidade Financeira de Inteligência localizou as contas do ex-diretor da Petrobrás, formalmente acusado por "ofensa de lavagem de dinheiro".

Defesa. Para o advogado de Paulo Roberto Costa, a prisão de seu cliente é despropositada. "Consideramos a prisão despropositada e contra ela nós vamos nos manifestar oportunamente", disse. Cássio Norberto também negou a existência de contas bancárias na Suíça. "Não há nada nesse sentido, consideramos a inexistência dessa conta, não há nada nesse sentido."

O advogado argumenta que Costa tem cumprido todas as obrigações judiciais. "Paulo Roberto Costa cumpriu todas as determinações judiciais que lhe foram impostas, permaneceu em sua residência em todo o momento, exceto quando compareceu à Comissão Parlamentar de Inquérito, seu passaporte está retido junto ao Poder Judiciário, de forma que consideramos absolutamente legítima, mas inversamente desproporcionada a manutenção dessa decisão cautelar; fizemos um pedido de consideração ao doutor Sérgio Moro e vamos aguardar", finalizou.

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