Ex-deputado devia R$ 1,3 milhão para dono de bingo, diz PF

Gravação mostra Georges sendo cobrado; MP deve apresentar denúncia nesta terça

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h54

Foragido da Xeque-Mate, o ex-deputado federal Gandi Jamil Georges foi flagrado pelo grampo sendo pressionado por um bingueiro de Campo Grande para pagar dívida de R$ 1,3 milhão. A ligação interceptada pela Polícia Federal ocorreu na tarde de 10 de maio - 24 dias antes que a operação fosse deflagrada. Em 19 minutos e 36 segundos, Gandi trava um diálogo tenso com o empresário Alfredo Loureiro Cursino, proprietário de bingos e distribuidor de máquinas caça-níqueis em Mato Grosso do Sul. A Xeque-Mate fechou o cerco a 80 pessoas, entre elas Genival Inácio da Silva, o Vavá. Irmão mais velho do presidente Lula, ele caiu no grampo 18 vezes e é acusado pela PF pelos crimes de tráfico de influência e exploração de prestígio. O relatório da investigação federal sustenta que, em março, Vavá chegou a falar pessoalmente com o presidente sobre máquinas caça-níqueis. A PF suspeita que a dívida de Gandi é relativa a máquinas de jogos instaladas em um cassino de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, onde o ex-deputado estaria escondido, sob a proteção de capangas armados. Na conversa, Cursino cobra insistentemente R$ 200 mil de Gandi, parte da dívida. Em outro diálogo que a Xeque-Mate pegou, Gandi fala de seus planos para construir um hotel-cassino próximo ao Shopping China, em Pedro Juan. A casa também vai oferecer shows internacionais à clientela. Gandi foi político influente em Mato Grosso do Sul. Então no PDS, ele presidiu a Assembléia entre 1985 e 1986. Foi deputado federal constituinte pelo PFL e, em 1990, tentou se eleger governador pelo PDT. A investigação da PF revela que ele é um dos proprietários do Hotel Cassino Amambay, em Pedro Juan Caballero, fronteira com Ponta Porã (MS). Gandi está com a prisão preventiva decretada pela Justiça Federal. Seus advogados entraram com pedido de relaxamento da ordem judicial. A defesa garante que o ex-deputado está no Brasil. O grampo federal pegou uma outra conversa entre Gandi e Cursino, dia 9 de maio. Cursino reclama que Gandi "está fugindo dele" e diz que "está fazendo papel de imbecil de novo". Gandi diz que "quer acertar", mas Cursino reage: "Que acertar, você não está pagando um real para o meu funcionário, eu tive que mandar dinheiro para ele comer." Cursino diz a Gandi que está colocando máquinas no Paraguai. "Esse assunto é de interesse mútuo, esse assunto máquina, cassino, esse troço todo, nós temos que sentar e conversar juntos Alfredo", responde o ex-deputado. "Não sou eu que não estou te pagando." Gandi pergunta: "O que o teu rapaz precisa aqui?" Cursino responde: "Precisa que vocês honrem o que vocês estão prometendo." Denúncia crime O Ministério Público Federal adiou para esta terça-feira, 19, a denúncia criminal contra os envolvidos na máfia dos caça-níqueis. As investigações da Polícia Federal, em parceria com três procuradores da República, revelam atuação de poderosa organização criminosa, dividida em cinco grupos, que movimentava R$ 7,5 milhões por mês explorando jogos de azar em quatro Estados - Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia e São Paulo. A denúncia vai incriminar diretamente dois homens próximos do presidente Lula, o Vavá e seu compadre Dario Morelli Filho. Com base no relatório da PF, a procuradoria deverá acusar Vavá pela prática dos crimes de exploração de prestígio e tráfico de influência.

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