Ex-aliado liga Cunha a propina via Caixa

Afilhado político do peemedebista, Fábio Cleto diz que deputado recebeu R$ 52 mi de esquema montado no banco por liberação de FGTS

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 Abril 2016 | 07h35

Em negociação para fechar um acordo de delação premiada, o ex-vice presidente da Caixa Econômica Federal Fábio Cleto acusou seu padrinho político, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de fazer parte de esquema de pagamento de propina em troca de liberação de verbas do fundo de investimentos do FGTS. Cleto declarou que o deputado recebeu R$ 52 milhões pelo acordo. A informação foi publicada ontem pelo jornal Folha de S.Paulo.

Cleto foi exonerado da Caixa pela presidente Dilma Rousseff 15 dias depois de Cunha deflagrar o processo de impeachment. Logo em seguida, ele que foi alvo de uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal em dezembro, passou a negociar com a Procuradoria-Geral da República uma delação premiada. Apesar de citar outros políticos, Cunha seria o principal alvo da delação de Cleto.

Caso a colaboração seja assinada pelo procurador-geral, Rodrigo Janot, e homologada pelo Supremo Tribunal Federal, será a sétima vez em que Cunha é acusado de participação em esquema de corrupção por um investigado da Operação Lava Jato.

Na delação, Cleto confirma os relatos de pagamentos de propina a Cunha citados por Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior, delatores da Carioca Engenharia. No início do ano, os empresários apontaram cinco novas contas de Cunha mantidas no exterior e que não eram conhecidas das autoridades brasileiras. As transferências informadas pelos delatores à Procuradoria totalizam R$ 52 milhões, feitas entre 2011 e 2014, saindo de contas na Suíça pertencentes aos empresários, para as cinco contas estrangeiras que eles afirmam terem sido indicadas por Cunha.

Segundo Pernambuco e Pernambuco Júnior, as transferências eram propinas para que Cunha liberasse verbas do fundo de investimento do FGTS para o projeto do Porto Maravilha, no Rio de Janeiro. A empreitada tinha a concessão compartilhada entre a Carioca Engenharia, OAS e Odebrecht.

Na época, os empresários da Carioca Engenharia entregaram extratos de transferências bancárias para contas ligadas a Cunha com sedes na Suíça, Estados Unidos e Israel. O pagamento foi dividido em 36 parcelas como suborno para que a empresa recebesse R$ 3,5 bilhões do FGTS-FI.

A Procuradoria espera que a delação de Cleto traga mais informações sobre as contas bancárias em que Cunha recebeu o dinheiro e ajude a equipe de investigação a traçar o caminho do dinheiro da propina pelas obras do Porto Maravilha. O custo do projeto é calculado em R$ 8 bilhões ao longo de 15 anos.

Quando Cleto buscou a Procuradoria para fazer delação, sua possível ligação com o esquema já era investigada.

Réu. Cunha é réu no Supremo e alvo de duas denúncias da Operação Lava Jato por recebimento de propina. Ele é acusado de receber pagamentos por contratos de navios-sonda da Petrobrás e propinas em contas na Suíça ligadas a ele e a familiares. O Supremo aceitou a abertura da ação penal por unanimidade. Além disso, ele também é alvo de outras três investigações, uma relacionada à Carioca Engenharia e outros dois inquéritos que correm em sigilo.

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