Evento debate reportagens históricas

'Festival Piauí GloboNews de Jornalismo' reúne profissionais de renome para discutir a importância das grandes coberturas

Tonia Machado, O Estado de S.Paulo

10 Outubro 2015 | 02h04

Grandes nomes do jornalismo mundial se reúnem hoje e amanhã em São Paulo na 2ª edição do Festival Piauí de Jornalismo, renomeado agora 'Festival Piauí GloboNews'.

Da guerra no Iraque ao caso Wikileaks, da epidemia de ebola ao narcotráfico no México, os convidados debaterão a cobertura jornalística, as técnicas de apuração e o futuro da profissão. "A ideia é inspirar as pessoas e mostrar o quanto essas grandes reportagens são importantes para as instituições, os cidadãos, os países e a democracia em geral", diz a jornalista Daniela Pinheiro, da piauí e curadora do evento.

Um dos participantes de destaque do primeiro dia de debates é Seymour Hersh, da revista New Yorker. O repórter venceu o prêmio Pulitzer em 1970 na categoria de melhor reportagem internacional pelo caso My Lai, considerado o maior assassinato de civis cometido pelo exército dos Estados Unidos no Vietnã. Na ocasião, Hersh entrevistou William Calley, o oficial que comandou o pelotão de infantaria responsável pela morte de 109 civis vietnamitas, principalmente mulheres e crianças, na província de My Lai, no Vietnã. Foi Hersh também que denunciou em 2004 os casos de tortura praticados por militares norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, no Iraque.

No domingo, será a vez de Nick Davies, do jornal britânico The Guardian, falar sobre a investigação que revelou o uso indiscriminado de escutas telefônicas pelo tabloide inglês News of the World, autorizadas pelos editores e pelo dono da publicação, o magnata Rupert Murdoch. As revelações culminaram no fechamento do jornal e, posteriormente, na aprovação de uma lei de regulamentação de mídia na Inglaterra.

Davies também falará sobre o caso Wikileaks, que revelou mensagens diplomáticas sigilosas dos Estados Unidos. Uma negociação entre o repórter e Julian Assange, fundador do site que deu nome ao caso, resultou na publicação de documentos secretos do exército norte-americano a respeito das invasões no Afeganistão e no Iraque. Os papéis revelavam que o governo dos Estados Unidos ignorou abusos cometidos por seus militares contra prisioneiros e civis durante a guerra.

Multimídia. Os desafios de produzir grandes reportagens em novas plataformas também serão debatidos. Ben Anderson, produtor e apresentador do canal de notícias VICE Media, é conhecido por coberturas em regiões de tensão política, como Afeganistão, Irã e Síria. No ano passado, Anderson esteve nas favelas cariocas para mostrar a reação da população à instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) na cidade antes da Copa do Mundo. As mudanças de rumo da revista The New Republic, de uma publicação impressa tradicional a um modelo de negócio baseado em cliques e audiência, serão expostas pelo seu ex-editor, Franklin Foer.

Inversão de papéis. Nas sessões chamadas "conversa com a fonte", repórter e entrevistado terão seus lugares trocados. Duas personalidades cujos perfis foram publicados pela piauí reencontrarão os jornalistas que os entrevistaram para falar sobre suas impressões acerca das reportagens publicadas e sua relação com a imprensa.

Os convidados para esses encontros são o economista Delfim Netto e o banqueiro Daniel Dantas, cujas declarações, segundo Daniela, devem ser "muito reveladoras".

Sábado

0h

Jorge Lanata (Grupo Clarín - Argentina)

12h

Delfim Netto (economista)

14h

Seymour Hersh (The New Yorker - EUA)

16h

Daniel Alarcón (Radio Ambulante - Peru)

18h

Sheri Fink (The New York Times - EUA)

Domingo

10h

Franklin Foer (The New Republic - EUA)

12h

Daniel Dantas (banqueiro)

14h

Anabel Hernández (Proceso - México)

16h

Ben Anderson (Vice Media - EUA)

18h

Nick Davies (The Guardian - Inglaterra)

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