'Eu continuarei, não renunciarei', diz Cunha

'Eu continuarei, não renunciarei', diz Cunha

Presidente da Câmara negou ainda que haja articulação entre ele e o Planalto para negociar sua permanência na presidência da Casa em troca da não instauração de processo de impeachment 

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2015 | 18h24

Brasília - Mesmo após o surgimento de provas contundentes que agravam as denúncias contra si, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), declarou repetidas vezes que não pretende renunciar do cargo. Em entrevista nesta segunda-feira, 19, o peemedebista disse não se sentir isolado politicamente e afirmou que não precisa que seu partido ajude em sua defesa. Cunha negou ainda que haja articulação entre ele e o Planalto para negociar sua permanência na presidência da Casa em troca da não instauração de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"Vai continuar exatamente do jeito que está. Eu continuarei, não renunciarei e aqueles que desejam porventura minha saída vão ter de esperar o fim do mandato para escolher outro", declarou. "É importante deixar claro o seguinte: fui eleito pela Casa. Aqui só cabe uma maneira de eu sair, é renunciar. E não vou renunciar. Então, aqueles que acham que podem contar com minha renúncia, esqueçam, eu não vou renunciar", reforçou o presidente da Câmara. Ele disse seguir presidindo a Câmara "com toda tranquilidade" e que tem "toda legitimidade" para praticar todos os atos inerentes à função para a qual foi eleito. 

Questionado se espera ajuda do PMDB para sua defesa, Cunha disse que "não espera nada". "Não preciso que ninguém ajude na minha defesa. Minha defesa será feita por mim mesmo e pelos meus advogados no momento e no fórum apropriado. Não tenho nenhuma preocupação com isso", afirmou. Segundo o peemedebista, ele precisará apenas provar sua inocência em relação às acusações para que maioria dos integrantes do Conselho de Ética e do plenário possam "se satisfazer" com a defesa. Indagado se tem contas na Suíça, Cunha não negou e disse que só falará sobre esse assunto por meio de nota ou dos advogados.

Na entrevista, o presidente da Câmara afirmou ainda que ninguém do governo o procurou para fazer acordo. "Não tem articulação. Não tem plano A, B, C, D ou E, não tem plano nenhum. Qualquer discussão especulação está sendo feito é perda de tempo", afirmou. 

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