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''Estado é governado pela oligarquia Sarney''

Eugênia Lopes - O Estadao de S.Paulo

18 Abril 2009 | 00h 00

Pedetista se mantinha à noite aquartelado na sede do governo, alertando para ?injustiça? dos tribunais superiores

Aquartelado na ala residencial do Palácio dos Leões, fortaleza erguida pelos franceses no século 17, o ex-governador do Maranhão Jackson Lago (PDT), cassado no dia anterior, mantinha-se ontem à noite irredutível na decisão de não entregar a sede do governo à nova titular do cargo, a ex-senadora Roseana Sarney (PMDB). A resistência era acompanhada por uma centena de militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST), espalhados pelos corredores térreos do palácio, e um punhado de assessores e parlamentares. Em entrevista ao Estado, o ex-governador sinalizou que deixaria o local nas próximas horas, apesar de se considerar "injustiçado" com a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pela sua cassação. "Não vou passar protocolarmente o governo, em respeito à população que me elegeu." Por que o senhor resiste a deixar o governo, mesmo depois da decisão do Supremo Tribunal Federal de arquivar o seu pedido para permanecer no cargo e de o Tribunal Superior Eleitoral ratificar Roseana Sarney como a governadora? Nossa presença aqui tem tornado possível mostrar a todo o País, através dos grandes meios de comunicação, a violência que está sendo cometida contra a vontade da maioria do povo, que me elegeu. A minha resistência faz o País conhecer melhor o Estado do Maranhão. O País só tem a versão do grupo dominante daqui, que é a família Sarney e detém todos os meios de comunicação. O sr. acha que teve um julgamento injusto pela Justiça Eleitoral? Alguém pode ter dúvidas do quanto fui injustiçado? Um cidadão como eu, que tem quase meio século de vida pública, atuou contra a ditadura, foi retirado do governo, um governo eleito pelo povo, para se colocar a filha do José Sarney no poder. É preciso muita ingenuidade para não se achar que fui injustiçado. O sr. foi aliado histórico do presidente Lula. Hoje, ele é aliado da família Sarney. O sr. se sente abandonado por ele? Não recebi nenhum tipo de solidariedade do presidente Lula. Mas não me sinto abandonado por ele. Até porque, quando ele vinha antigamente ao Estado, sempre estávamos juntos para combater os Sarney. Mas agora ele mudou de lado e a companhia dele é o Sarney. Vários aliados seus, como o ex-governador José Reinaldo, não estão hoje aqui. O sr. também perdeu o apoio da maioria dos deputados estaduais e prefeitos do Maranhão... O Maranhão é um Estado que foi governado durante 40 anos, sem alternância, pela oligarquia do Sarney. Não se pode pensar em uma classe política de outro nível. O Zé Reinaldo pode até ter tentado falar comigo, mas não conseguiu porque passei o dia inteiro com o telefone desligado. O sr. vai passar o governo para a governadora Roseana Sarney? Não vou passar protocolarmente o governo, em respeito à população que me elegeu. O presidente do PDT e ministro Carlos Lupi telefonou para o senhor? Pediu para deixar o Palácio? O Lupi me ligou, mas não fez nenhum apelo para que eu saísse daqui. Com sua saída do governo do Maranhão, o que o sr. pretende fazer agora? Qual o seu futuro político? Sou um militante social. Como me afastei da medicina em 1989, estou desatualizado. Moro aqui em São Luis, onde tenho uma casa e aqui vou ficar. Sou um militante e estou à disposição dos movimentos sociais. Também vou me reaproximar do meu partido, do qual me afastei um pouco desde que me elegi governador. Mas ainda está muito cedo para saber se serei candidato no ano que vem a qualquer cargo: ao governo do Estado ou a uma vaga para a Câmara ou para o Senado (o ex-governador não perdeu os direitos políticos). Qual o legado que o senhor deixa para a nova governadora? Vou deixar mais de R$ 380 milhões em caixa, sendo que cerca de R$ 200 milhões serão para pagar a folha de pessoal no fim do mês. Nesses dois anos e três meses de governo, construí 181 novas escolas, 700 salas de ciência e muitas estradas no Estado. Nos oito anos que governou o Maranhão, a Roseana Sarney endividou o Estado e foi mais radical do que a Margaret Thatcher (ex-primeira ministra da Grã-Bretanha) no campo das privatizações. A Roseana desmontou a administração pública do Maranhão. Espero que ela ao assumir continue fazendo o que fiz: a descentralização administrativa do governo.

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