Joka Madruga/Futura Press
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Escolas do Paraná não retomarão aulas antes da 2ª semana de março

Comando de greve dos professores estaduais marcou assembleia para decidir sobre continuidade da paralisação na próxima quarta; categoria diz que precisa de tempo para debater propostas do governo

Ricardo Galhardo, enviado especial, O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2015 | 20h51

Curitiba - Depois de várias reuniões que se estenderam por toda a quinta-feira, 26, o comando de greve dos professores da rede pública estadual do Paraná optou por marcar para quarta-feira a assembleia que vai decidir pelo fim ou continuidade da paralisação que já dura 19 dias. A decisão contraria a expectativa do governador Beto Richa (PSDB) que, depois de vários recuos em medidas de ajuste fiscal que atingiam a categoria, esperava o retorno dos professores para as salas de aula para segunda-feira.

Em uma dos encontros, que reuniu o comando de greve com mais de 100 diretoras de escolas estaduais, ficou decidido por unanimidade que mesmo que a assembleia decida pelo fim da greve, não é possível retomar as aulas imediatamente. As escolas vão precisar de alguns dias para organizar o início do ano letivo, distribuir os professores entre as turmas e outras medidas administrativas antes de voltarem a funcionar.

Isso significa que muito dificilmente as escolas do Paraná voltarão às aulas antes da segunda-feira seguinte, dia 9 de março. Tanto o governo quanto os grevistas admitem que as férias de julho já foram comprometidas. 

O argumento dos professores para marcar a assembleia apenas para quarta-feira é que a categoria precisa de tempo para debater as propostas do governo. Todas 2.100 escolas estaduais paranaenses nos 399 municípios do Estado estão paradas deixando 970 mil alunos sem aulas. Além disso, os professores vão cobrar medidas concretas do governo como sinalização de que os acordos não serão descumpridos.

Os grevistas estão divididos em dois grupos. O primeiro defende o fim da mobilização assim que estiverem equacionadas as questões que dizem respeito especificamente à categoria. O segundo grupo defende que a paralisação seja mantida, junto com outros 23 sindicatos que representam o funcionalismo estadual, até que haja uma solução para a proposta do governo de mudar o sistema de previdência estadual. 

Uma das principais medidas propostas pelo governador para sanear as contas públicas é unificar os dois fundos de previdência estaduais (um deficitário e outro superavitário). Segundo o governo, o objetivo é sanar o déficit previdenciário do Estado. Já os servidores acusam o governo de fazer uma manobra contábil para deixar de pagar os R$ 250 milhões mensais da contraparte patronal das aposentadorias e, assim, conseguir um fôlego de caixa.

Na quarta milhares de professores marcharam do Centro até o Palácio Iguaçu, sede do governo, para protestar contra as medidas de ajuste fiscal e pelo pagamento de férias e rescisões contratuais em atraso. Além de cortar benefícios dos servidores, o ajuste prevê aumentos de impostos e enxugamento da máquina pública. Depois de duas ocupações da Assembleia Legislativa por professores e da grande marcha de quarta-feira, o governo recuou e retirou parte dos projetos de lei de ajuste fiscal.

No mesmo dia, o governador anunciou que vai congelar o próprio salário e de todo o secretariado durante todo o ano de 2015 como sinal de austeridade. Richa é o governador mais bem pago do Brasil.

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