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Escola do Rio vai retratar história do palhaço e promover panelaço na Sapucaí

- Atualizado: 08 Janeiro 2016 | 13h 01

Com o enredo 'Mais de mil palhaços no salão', a São Clemente, da carnavalesca Rosa Magalhães, vai trazer ala com batedores de panela em referência às manifestações contra a presidente Dilma Rousseff e o PT, no ano passado

RIO - A crítica política vai passar na Marquês de Sapucaí em 2016. A São Clemente, escola que tem em sua história enredos que abordaram ironicamente problemas sociais, vai promover um panelaço no trecho final de seu desfile. Será uma referência às manifestações contra a presidente Dilma Rousseff e o PT, no ano passado, durante seus pronunciamentos oficiais e programas do partido na TV.

O enredo da agremiação do bairro de Botafogo, na zona sul do Rio, é “Mais de mil palhaços no salão”. Na sinopse escrita pela carnavalesca Rosa Magalhães, há uma referência aos caras-pintadas, jovens que em 1992 fizeram manifestações pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, “seguindo o exemplo dos nossos palhaços”. “A eles, a pátria agradece”, finaliza o texto.

A carnavalesca Rosa Magalhães, em 2014
A carnavalesca Rosa Magalhães, em 2014

Na Sapucaí, depois de passarem carros alegóricos e alas contando a história do palhaço, da Idade Média aos circos de hoje – artistas famosos no País, como Benjamim de Oliveira, o primeiro palhaço negro, Carequinha e os comediantes Oscarito, Grande Otelo e Mazzaropi serão lembrados –, desfilará um palhaço gigante. Com movimentos articulados, simulará bater uma panela. Depois virá uma ala com os batedores de panela. Rosa acredita que o gesto tem  a ver com o carnaval, por produzir um som que combina com a festa.

“Faz parte do carnaval ter uma pitada de crítica, mas não pode ser demais. É para as pessoas se divertirem”, disse ontem a carnavalesca, sem querer antecipar mais detalhes sobre o panelaço. Ela também foi comedida ao comentar as manifestações contra o governo federal. “Eu não bati panela, moro num lugar de mata, onde ninguém ouve nada. Mas bateria com certeza. O supermercado está um absurdo, a conta de luz, está tudo muito caro. Mas prefiro não dar minha opinião sobre o governo. Eu, como pessoa física, tenho inteira liberdade para ter a opinião que eu quiser, mas não quero prejudicar a escola”.

Fundada em 1961, a São Clemente autodenomina-se irreverente (já fez rima com seu nome em letra de samba) e fez carnavais satirizando mazelas nacionais, sempre com bom humor. Em 1984, com o enredo “Não corra, não mate, não morra: o diabo está solto no asfalto”, abordou a violência no trânsito. Em 1985, tratou do déficit habitacional no País, com “Quem casa quer casa”.

No ano seguinte, cantou “Muita saúva, pouca saúde, os males do Brasil são”, sobre o caos na saúde. A crítica ao próprio desfile das escolas samba veio em 1990, com o desfile “E o samba sambou”, de reprovação ao encarecimento da festa e a comercialização do carnaval. Em 1992, “E o salário, ó...”, frase tirada do humorístico “Escolinha do professor Raimundo”, da TV Globo, falava da falta de recursos para a educação. No ano de 2001, a escola reviu esse seu passado crítico no desfile “A São Clemente mostrou e nada mudou nesse Brasil gigante”.

Nos últimos anos, a escola tem preferido temáticas mais amenas. A contratação, no ano passado, da carnavalesca Rosa Magalhães, que já foi campeã sete vezes, deu força à escola. A agremiação tem  uma torcida pequena entre as grandes do Grupo Especial. Nunca saiu vencedora.

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