Entrevista com Pedro Simon - 'Senado virou uma casa de amigos'

Na batalha para mudar as coisas, senador gaúcho reúne suas propostas em novo livro

Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo

31 Julho 2010 | 06h00

 

BRASÍLIA - O senador Pedro Simon (PMDB-RS) define numa frase o que pensa sobre a Casa que representa: "O Senado se transformou numa casa de amigos". Em entrevista ao Estado, por telefone, do Rio Grande do Sul, Simon não esconde a decepção com o fracasso nas tentativas de mudanças administrativas depois do ano de escândalos em 2009.

 

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Em uma cruzada para tentar mudar as coisas, o senador lançou recentemente um livro, O Senado nos Trilhos da História - no qual apresenta, em 122 páginas, as falhas na inchada e suspeita estrutura que serve aos senadores. Entre outros documentos, o livro - do qual foram distribuídos mil exemplares - inclui o projeto de reforma administrativa do Senado e o estudo preparado sobre a reformulação da casa pela Fundação Getúlio Vargas. Uma tentativa, como resumiu Simon, de "tornar o Senado menos oneroso, mais transparente e mais ajustado às expectativas do Brasil".

 

Um ano depois dos escândalos administrativos, qual é o seu balanço sobre a situação do Senado?

 

Não vi nada de melhor. Até agora a comissão que se debruçou para analisar a reforma administrativa parou porque ficou um ano discutindo o plano de carreira dos funcionários, o aumento para os servidores.

Eles (funcionários) aumentaram os salários como bem entenderam, um projeto feito por eles próprios. Votei contra, mas na verdade foi aprovado um plano espetacular para os funcionários. Fora isso, não foi feito mais nada.

 

E a reforma administrativa?

 

A tal da reforma não foi feita. Eu publiquei o livro como desencargo de consciência, porque daqui a 30 anos alguém vai dizer "aconteceram essas coisas". Eu pelo menos poderei afirmar que quis apresentar emendas. Tentei e mostrei, mas não há interesse.

 

Não falta comprometimento por parte dos senadores?

 

Não tivemos sorte de encontrar um presidente ou um primeiro-secretário que dissesse "eu vou fazer, eu vou mudar". Eles entregam na mão do diretor-geral, que faz da forma como bem entende. Então, o primeiro-secretário fica na mão do diretor-geral, e o presidente não participa de nada. Um senador ganha R$ 16 mil, e está cheio de funcionários, na Casa, que ganham o dobro disso.

 

O Senado precisa de 10 mil funcionários?

 

É evidente que não.

 

O senhor vai sair da política?

 

Tenho mais quatro anos. Não tenho coragem de renunciar, seria uma covardia. O Estado revelou que senadores estão transferindo assessores para seus redutos eleitorais durante a corrida eleitoral...

O problema todo é que o Senado se transformou numa Casa de amigos. Então, tudo é permitido. Não há normas fixas, regras. Esse é um motivo da dificuldade em encontrar gente que queira disputar uma eleição para deputado porque dizem que a concorrência é desleal. Não existe verba pública de campanha, mas o parlamentar usa uma enormidade de coisas públicas. O que se percebe é que o parlamentar escolhe quem quiser e paga o que quiser.

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