Entre o folclore e os escândalos

Maioria dos envolvidos em casos como os do mensalão e dos sanguessugas não se elegeu para Câmara; personalidades também ficaram pelo caminho

Moacir Assunção / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 23h11

As urnas foram cruéis nesta eleição com deputados envolvidos em escândalos recentes, embora alguns tenham conseguido se eleger. Vários parlamentares envolvidos nos escândalos do mensalão, da máfia dos sanguessugas, dos anões do Orçamento, e do uso irregular de verbas indenizatórias não conseguiram se reeleger. A bancada dos folclóricos ficará, também, sensivelmente reduzida na próxima legislatura, que se inicia em janeiro, apesar da presença - ainda sob contestação da Justiça Eleitoral - do comediante Tiririca (PR-SP), campeão das urnas em 2010, com mais de 1,3 milhão de votos.

 

Quatro candidatos a deputado com os nomes citados no escândalo da distribuição de ambulâncias, os chamados sanguessugas, foram derrotados nas urnas: Coriolano Sales (PSDB-BA), Eduardo Seabra (PTB-AP), João Caldas (PSDB-AL) e Fernando Gonçalves (PTB-RJ) não se elegeram. Nílton Capixaba (PSC-TO), por sua vez, conseguiu vaga na Câmara. Em 2006, dos 50 citados no caso, somente 5 haviam conseguido se reeleger.

 

Gonçalves amargou apenas a 107.ª colocação, com 11 mil votos, na disputa pela Câmara no Rio, Estado onde foram eleitos 46 candidatos. Citado na CPI dos Sanguessugas, Coriolano Sales, conhecido como Cori, ensaiou um retorno à vida pública depois de um período de ostracismo, mas ficou com somente 4,9 mil votos, na 99.ª colocação na tentativa de representar na Câmara a Bahia, que também tem 46 cadeiras em Brasília. Terminou a eleição atrás de candidatos de nomes curiosos, como Batista da Sorveteria e Pastor Eduardo Aleluia.

 

No caso do mensalão, as urnas também cobraram sua cota. José Genoíno (PT-SP), que responde a ação penal no Supremo Tribunal Federal (STF), não conseguiu se reeleger, embora tenha obtido 92 mil votos. Nome histórico do partido, Genoíno ficou em 81.º lugar no Estado, que tem 70 representantes na Câmara.

 

Assessor de confiança do ex-ministro José Dirceu, de quem é testemunha de defesa no Supremo, Marcelo Sereno também não conseguiu a vaga pelo PT carioca. Ele recebeu quase 40 mil votos e ficou na 63.ª colocação.

 

Os petistas João Paulo Cunha e José Mentor, também citados nos escândalos na versão PT e PSDB, conquistaram vagas na Câmara dos Deputados por São Paulo. Em Minas, Eduardo Azeredo (PSDB), tido como líder do chamado mensalão mineiro, também conseguiu a reeleição, com 123 mil votos.

 

Castelo. Edmar Moreira, dono de um castelo no interior de Minas e acusado de usar R$ 250 mil de verbas indenizatórias da Câmara para contratar os serviços de sua própria empresa de segurança, não vai voltar à Casa. O relator do caso, Sérgio Moraes (PTB-RS), que ficou famoso ao dizer que estava "se lixando para a opinião pública", entretanto, foi eleito, com 98 mil votos.

 

Genebaldo Correia (PMDB-BA), um dos anões do Orçamento, citado no escândalo de 1993, tentou voltar à vida pública, mas foi barrado pelas urnas. Ele ficou com 20 mil votos, na 68.ª colocação (somente 46 foram eleitos).

 

O polêmico ex-presidente do Vasco, Eurico Miranda, também engrossa o time de barrados. Duas vezes deputado federal, ele se candidatou pelo PP-RJ, mas recebeu somente 17 mil votos, ficando na 88.ª colocação, ante os 46 que conseguiram vaga na Câmara. Suplente do candidato derrotado ao governo de Minas, ex-senador Hélio Costa (PMDB), Wellington Salgado, mais famoso pela longa cabeleira, também saiu derrotado na tentativa de obter uma vaga na Câmara por Minas. Teve 50 mil votos e ficou na 68.ª colocação. Minas tem 53 representantes na Casa.

 

Apesar do prestígio como cantores, Frank Aguiar, ex-deputado federal (PTB) e ex-vice-prefeito de São Bernardo do Campo (SP), e Agnaldo Timóteo, vereador pelo PR em São Paulo, não foram felizes na tentativa de conquistar vaga na Câmara. Ficaram com, respectivamente, 46 mil e 25 mil votos. No Estado, foram eleitos 70 candidatos.

 

Paes de Lira (PTC), que chegou ao Congresso após a morte do estilista Clodovil, não conseguiu manter a vaga. O candidato Ney Santos (PSC), apontado pela polícia como integrante do PCC, ficou, com 40 mil votos, na 115.ª colocação em São Paulo.

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